EUA: Tarifaço pode atingir 4,1 mil produtos brasileiros

EUA ameaçam impor novas tarifas sobre 4,1 mil produtos brasileiros, totalizando US$ 14,9 bilhões em exportações. Brasil e EUA negociam contra o tempo para evitar o impacto econômico.

EUA: Tarifaço pode atingir 4,1 mil produtos brasileiros

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos podem ser impactados caso o governo americano, sob Donald Trump, decida implementar um novo pacote de tarifas. A projeção foi divulgada em meio ao início das audiências públicas em Washington sobre a proposta, que visa combater supostas práticas econômicas desleais por parte do Brasil em áreas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. O governo brasileiro refuta formalmente essas alegações.

O valor total das exportações que correm risco somam US$ 14,9 bilhões. Entre os produtos que podem ser afetados estão o ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio. O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a medida, considerando-a juridicamente, economicamente e estrategicamente injustificável, e defendeu o diálogo bilateral como o melhor caminho para manter a solidez das relações comerciais entre os dois países.

## Corrida contra o tempo para acordo

As negociações entre Brasil e Estados Unidos para evitar a imposição das tarifas estão em andamento e o prazo para um acordo se encerra em 15 de julho. O governo brasileiro optou por não se inscrever para discursar nas audiências públicas, mas acompanhará os debates por meio de representantes da embaixada em Washington na condição de observadores. A estratégia brasileira é focar em conversas técnicas e de alto nível, que já vêm ocorrendo.

Recentemente, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com Jamieson Greer, do escritório comercial dos EUA, e novas conversas estão agendadas. O Brasil já apresentou uma proposta para os seis pontos levantados pelos americanos, mas aguarda uma resposta formal. Autoridades brasileiras veem a recomendação do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) como uma manobra política, que desconsidera os argumentos técnicos apresentados ao longo do último ano. A semelhança entre os documentos de investigação e de recomendação de tarifas reforça essa percepção nos bastidores do governo.

## Perspectivas e próximos passos

Diante do cenário, a expectativa do governo brasileiro é que a imposição das tarifas possa ser evitada ou, no mínimo, reduzida, com a possibilidade de anúncios de exceções para alguns produtos. A relação comercial entre os dois países é significativa, e um acordo favorável é crucial para a economia brasileira, especialmente para os setores que mais exportam para o mercado americano. A persistência do diálogo e a apresentação de dados concretos sobre o combate ao desmatamento, por exemplo, são vistas como fundamentais para reverter ou mitigar os efeitos do possível tarifaço.