EUA: Tarifa de 25% afeta US$ 7,2 bi em exportações brasileiras
Novas tarifas dos EUA de 25% sobre exportações brasileiras impactam US$ 7,2 bilhões. SP e SC são os mais afetados. Governo lança plano de R$ 130 milhões para buscar novos mercados.

O governo dos Estados Unidos anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, que impactará um total de 2.375 produtos. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), essa medida afeta 19,2% da pauta exportadora para os EUA, totalizando US$ 7,235 bilhões anuais. Adicionalmente, outros 441 produtos, representando 20,2% das vendas (US$ 7,629 bilhões), já estavam sujeitos a tarifas sob outras regras, incluindo veículos, aço e alumínio.
## Impacto nos Estados Brasileiros
A Apex identificou São Paulo como o estado mais prejudicado, com US$ 3 bilhões dos US$ 7,2 bilhões afetados. Santa Catarina também sofre forte impacto, com 68% de seu volume exportado atingido pela nova tarifa. Juntos, São Paulo e Santa Catarina respondem por 52% do total afetado pelo "tarifaço".
Os produtos isentos da nova alíquota somam 699 itens, correspondendo a 60,5% da pauta de exportação para os Estados Unidos, com valor de US$ 22,817 bilhões. Entre os itens que ficaram de fora da tarifa estão ferro fundido, peixes e lagostas, couros, madeira tropical, suco de laranja, carne bovina, café e equipamentos aeronáuticos.
## Plano de Diversificação e Negociações
Em resposta à medida, a Apex lançará um plano de diversificação de mercados com investimento de R$ 130 milhões. Essa estratégia visa encontrar novos destinos para os produtos brasileiros, similar à adotada quando o governo americano aplicou uma tarifa de 50% há cerca de um ano.
Em São Paulo, os principais itens atingidos incluem etanol, veículos, plásticos, máquinas mecânicas, borracha, gorduras e óleos animais/vegetais, além de instrumentos médicos. Já em Santa Catarina, a lista inclui madeira, carvão vegetal, móveis e máquinas mecânicas.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou a tarifa de 25% como "injusta e descabida", especialmente considerando que a balança comercial brasileira com os EUA é deficitária. O governo brasileiro pretende insistir nas negociações para reduzir a tarifa e buscará ativamente novos mercados na Europa, através do acordo com o Mercosul, e na Ásia, com foco na Asean (Indonésia, Vietnã) e na Ásia Central (Uzbequistão, Cazaquistão).