EUA: Setores isentos temem novas tarifas por trabalho forçado

Setores brasileiros comemoram isenção de tarifas de 25% dos EUA, mas temem nova taxa de 12,5% em investigação sobre trabalho forçado. Indústrias de ferro e café aguardam definições.

EUA: Setores isentos temem novas tarifas por trabalho forçado

Setores produtivos brasileiros que foram isentos da nova rodada de tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos expressaram um alívio parcial, mas manifestam preocupação com a possibilidade de uma nova taxa de 12,5% ser aplicada em breve. Esta nova tarifa estaria atrelada a uma investigação em andamento sobre trabalho forçado em países como o Brasil.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de tarifas sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. No entanto, artigos cruciais para o abastecimento do mercado americano, como café, carne bovina, pescados, suco de laranja e ferro-gusa, foram excluídos desta lista de taxação. Essa exclusão representa um respiro para as indústrias que dependem desses mercados.

## Investigação Paralela sobre Trabalho Forçado

Paralelamente à questão das tarifas gerais, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) está concluindo um procedimento que abrange cerca de 60 países, incluindo o Brasil, com o objetivo de coibir o uso de trabalho forçado. Um relatório preliminar, divulgado em junho, já apontou para a sugestão de uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros como medida punitiva.

Especialistas e entidades do setor privado brasileiro interpretam essa investigação sobre trabalho forçado como uma estratégia do governo americano para substituir as tarifas globais de 10% que foram implementadas em fevereiro e que expiram no final de julho. Essas tarifas anteriores, instituídas após uma decisão da Suprema Corte, necessitariam de renovação no Congresso dos EUA, um processo cuja aprovação é vista como incerta.

## Reações e Preocupações Setoriais

Fausto Cançado, presidente do Sindicato das Indústrias do Ferro (Sindifer) de Minas Gerais, descreveu a isenção dos 25% como um "alívio parcial". Sua principal preocupação reside na decisão futura sobre a investigação de trabalho forçado, na esperança de que a lista de exceções se mantenha. Antes do anúncio das tarifas, o Sindifer estimava que até 55% das fábricas brasileiras de ferro-gusa poderiam parar suas atividades caso as novas tarifas fossem aplicadas.

Marcos Matos, diretor geral do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), destacou que a investigação sobre trabalho forçado, aberta em março, ofereceu prazos curtos para envio de documentos e audiências públicas, contrastando com o período de um ano para a investigação sobre práticas comerciais. "Sempre preocupa", afirmou Eduardo Lobo, da Associação Brasileira da Indústria de Pesca (Abipesca), cujo setor também foi beneficiado pela isenção das tarifas de 25%. Ele ressaltou, porém, que o setor pesqueiro não possui irregularidades trabalhistas que justificariam sanções por parte do USTR.

A expectativa agora se volta para a conclusão do procedimento sobre trabalho forçado, com a possibilidade de uma nova taxa impactar produtos brasileiros em um cenário de incerteza nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.