EUA questionam PIX em audiência e buscam 'vantagens'

EUA questionam o PIX em audiência sobre tarifas, buscando entender como o sistema pode beneficiar seus interesses e explorando cooperação com o FedNow.

EUA questionam PIX em audiência e buscam 'vantagens'

Em meio a uma audiência sobre possíveis tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, representantes do Tesouro americano levantaram questionamentos sobre o PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil. A ferramenta foi tema de uma das sete sessões de diálogo, onde especialistas brasileiros foram convidados a expor e responder a perguntas de técnicos americanos.

Gustavo Pessoa, professor da FGV, e Vinícius Nunes, executivo com experiência em pagamentos digitais, foram os responsáveis por defender o PIX. Segundo relatos à CNN Brasil, o Tesouro americano demonstrou interesse em entender como os Estados Unidos poderiam se beneficiar do sistema brasileiro e quais seriam as possibilidades de cooperação entre os países.

"A lógica deles é: a ferramenta está prejudicando minhas empresas, o que se pode fazer para mudar esse cenário e beneficiar minhas companhias", explicou Pessoa sobre a perspectiva americana. Em sua resposta, Nunes sugeriu uma integração entre o PIX e o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos do Federal Reserve, além de uma cooperação mais ampla entre os bancos centrais dos dois países para o aprimoramento mútuo dos sistemas.

Os especialistas apresentaram dados que indicam que, desde o lançamento do PIX, transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos no Brasil continuaram a crescer, o que, segundo eles, não prejudica os americanos. Além disso, destacaram que plataformas americanas como o Google Pay já são grandes usuárias do PIX, com o Google Pay figurando como o maior iniciador de pagamentos no sistema.

No entanto, o governo brasileiro reiterou que o PIX é inegociável e foi deixado de fora de um plano apresentado aos EUA com medidas para contornar as investigações da 'seção 301', que fundamenta a ameaça de tarifas. O plano brasileiro inclui outras medidas, como a redução de tarifas em cerca de 300 linhas tarifárias para diversos países, buscando não prejudicar a indústria nacional e contemplando setores como máquinas e equipamentos não produzidos no Brasil, além de tecnologia de informação e saúde.

A audiência, que faz parte de um processo mais amplo de negociação comercial entre os dois países, evidencia o interesse americano em entender e, possivelmente, adaptar ou integrar suas próprias soluções financeiras a partir do sucesso observado no sistema brasileiro. A posição brasileira, no entanto, mantém a autonomia e a proteção do PIX como um ativo nacional.