EUA pressionam Brasil por abertura química e isenção industrial
EUA pedem abertura do setor químico e isenção de tarifas industriais ao Brasil. Governo brasileiro afirma que não aceitará acordos que prejudiquem interesses nacionais, especialmente em minerais críticos.

O governo brasileiro recebeu, em reuniões de alto nível com autoridades dos Estados Unidos, pedidos para a abertura do setor químico e a isenção de tarifas para bens industriais. As demandas norte-americanas foram feitas às vésperas da imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou que o Brasil não celebrará acordos que violem interesses nacionais e a soberania do país, citando o Pix como exemplo de tema inegociável.
## Demandas Americanas e Posição Brasileira
Segundo o ministro, os Estados Unidos buscaram a abertura completa do mercado químico, a redução a zero das tarifas de bens industriais e acesso ao mercado automotivo norte-americano, entre outras solicitações. Em resposta, o governo brasileiro reiterou que não aceitará qualquer acordo que represente um grande prejuízo para o setor industrial nacional. O vice-presidente Geraldo Alckmin, ao ser questionado sobre protecionismo no setor automotivo, afirmou que o Brasil cumpre as normas da OMC, contrastando com o aumento de impostos de importação pela Europa.
## Minerais Críticos e Discordâncias no Discurso
Outro ponto de tensão nas negociações foi a questão dos minerais críticos. Os EUA solicitaram ao Brasil a limitação de investimentos internos em projetos e empresas de extração desses minerais, em moldes semelhantes aos acordos firmados com Reino Unido e Austrália. O ministro Elias Rosa classificou a demanda como inaceitável, ressaltando que minerais críticos e terras raras são estratégicos para o Brasil. Apesar de as negociações terem sido descritas como 'cordatas' pelo representante comercial dos EUA, o ministro brasileiro apontou uma falta de uniformidade no discurso americano, com declarações divergentes sobre a boa-fé nas negociações. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou o governo brasileiro de não negociar de boa-fé, o que teria levado à confirmação da tarifa de importação.