EUA Preparam Novas Taxas sobre Produtos Brasileiros; Brasil Busca Alternativas

EUA preparam novas taxas de 12,5% sobre produtos brasileiros por trabalho forçado. ApexBrasil lança plano de R$ 130 milhões para diversificar mercados e critica medidas americanas.

EUA Preparam Novas Taxas sobre Produtos Brasileiros; Brasil Busca Alternativas

O governo dos Estados Unidos sinaliza a possibilidade de impor uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, com base em alegações de práticas de trabalho forçado. A informação foi divulgada pelo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, que também anunciou um plano de diversificação de mercados para mitigar os impactos de tarifas anteriores. A nova sobretaxa, se confirmada, se soma a um tarifação anterior de 25% que afeta exportações brasileiras aos EUA.

## Diversificação de Mercados e Críticas às Tarifas

A ApexBrasil planeja lançar no início de agosto um pacote de R$ 130 milhões para auxiliar setores exportadores a encontrar novos mercados. Müller classificou a medida americana como "absurda do ponto de vista comercial", destacando que a tarifação anterior impactou US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras, de um total de US$ 38 bilhões. Ele argumentou que as tarifas prejudicam tanto o comércio bilateral quanto consumidores americanos, elevando custos de produtos essenciais.

Os Estados Unidos justificam as tarifas com base na Seção 301 da lei de 1974, alegando que diversos países, incluindo aliados como Israel e Japão, além de adversários como a China, utilizam insumos produzidos com trabalho forçado. Pelo menos 60 nações estão sob escrutínio sob o mesmo argumento. Apesar da estratégia de diversificação, Müller ressaltou a importância estratégica do mercado americano para o Brasil, com esforços de entidades e empresas americanas para excluir produtos da lista de sobretaxas.

## Impacto Regional e Exceções

Segundo dados apresentados, cerca de US$ 23 bilhões em exportações brasileiras foram isentos das novas tarifas após a divulgação da lista final de exceções, um aumento em relação aos US$ 20 bilhões inicialmente previstos. Produtos como mel orgânico, granito e madeira, nos quais o Brasil tem participação significativa no abastecimento americano, foram mencionados como exemplos de itens que podem ser menos afetados ou isentos.

Em termos regionais, São Paulo é o estado mais afetado em valores absolutos, com cerca de US$ 3 bilhões em exportações atingidas, representando 20% das vendas paulistas aos EUA. Santa Catarina, por outro lado, é o estado proporcionalmente mais impactado, com 65% de suas exportações ao mercado americano sujeitas à nova tarifa. A ApexBrasil trabalha em parceria com 57 entidades do setor privado para desenvolver a estratégia de busca por novos mercados.