EUA oficializam tarifa de 25% em produtos brasileiros; CNI alerta para perdas

EUA impõem tarifa de 25% em produtos brasileiros a partir de 22 de julho. CNI alerta para perdas e agravação da competitividade da indústria nacional.

EUA oficializam tarifa de 25% em produtos brasileiros; CNI alerta para perdas

Os Estados Unidos oficializaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, com vigência a partir de 22 de julho. A decisão, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), visa, segundo o governo americano, "nivelar o campo de jogo" para proteger produtores e trabalhadores norte-americanos. Esta medida agrava um cenário já fragilizado para as exportações do Brasil.

## Impacto nas Exportações e Indústria

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o Brasil já havia registrado perdas de R$ 13,28 bilhões em exportações para os EUA em 2025, devido a um cenário tarifário fragmentado. Desde o ano passado, produtos brasileiros são divididos em três grupos: 46% sem sobretaxas, 25% com tarifa de 10% e 29% (incluindo aço, alumínio e cobre) com tarifas de até 50%. As tarifas vigentes levaram 20 das 27 unidades da federação a reduzir suas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026, com uma queda geral de 13%, especialmente em bens industriais.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, expressou preocupação, afirmando que a nova tarifa "corrói ainda mais a competitividade da indústria brasileira" e que é preciso reverter essa "lógica". A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também alertou para o aumento dos custos de acesso ao mercado americano e a ameaça à competitividade dos produtos nacionais, com risco de substituição de fornecedores e redução de margens.

## Contexto e Próximos Passos

A medida dos EUA foi justificada pelo presidente Donald Trump como uma resposta a políticas brasileiras consideradas "desarrazoadas". Paralelamente, o governo americano investiga outras 60 economias, incluindo o Brasil, por suposta insuficiência em medidas contra trabalho forçado, o que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%.

O governo brasileiro analisará a lista final de produtos afetados para definir estratégias, que podem incluir negociações ou a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica. Economistas alertam que uma retaliação pode aumentar o custo de importados, pressionar a inflação e manter os juros elevados por mais tempo, impactando a atividade econômica.