EUA mantêm 98 investigações comerciais globais ativas

EUA investigam 98 casos comerciais globais em quatro frentes, incluindo trabalho forçado e disputas bilaterais. Ações demonstram política comercial abrangente.

EUA mantêm 98 investigações comerciais globais ativas

Os Estados Unidos mantêm um expressivo número de 98 investigações comerciais em andamento, somando-se a outras ações que demonstram uma política comercial global ativa. Essa informação, detalhada pelo analista de Internacional da CNN, Lourival Sant'Anna, evidencia uma estratégia que vai além de disputas pontuais e atinge diversas nações e blocos econômicos.

## Quatro Frentes de Ação Comercial

A análise de Sant'Anna revela que as investigações conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) se desdobram em quatro frentes principais. A mais abrangente delas diz respeito ao trabalho forçado, com investigações abertas contra 59 países, além da União Europeia, podendo acarretar tarifas de até 12,5%. O Brasil também figura entre os países sob escrutínio nesta categoria.

A segunda frente aborda o excesso de capacidade instalada estrutural, envolvendo 15 países e a União Europeia. Já a terceira frente foca em comércio bilateral, com investigações direcionadas a países como China, Nicarágua, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul e Vietnã. Por fim, disputas mais específicas, como as relacionadas a impostos sobre serviços digitais, que incluem o Brasil e a União Europeia, e outras envolvendo a indústria aeronáutica (Airbus e Boeing) e carne bovina europeia, compõem o cenário de ações americanas.

## Contexto e Impacto Global

O levantamento surge em um contexto de declarações do presidente Lula sobre a possibilidade de uma "guerra da narrativa" com o ex-presidente Donald Trump. Lula expressou o desejo de provar a verdade em disputas tarifárias, mas aguardava pronunciamentos oficiais para se posicionar diretamente. A análise de Sant'Anna sugere que essa política comercial americana é governamental e não direcionada especificamente a líderes ou países em particular.

O Brasil, embora citado em algumas dessas investigações, pratica tarifas médias inferiores às de outros blocos, como demonstrado pela comparação das tarifas de importação em geral e para produtos como o etanol. No entanto, a soma de tarifas americanas, incluindo ações antidumping, pode ultrapassar significativamente os 60% em casos específicos, como para insumos da Braskem.