EUA isentam 471 produtos de nova tarifa; taxa total pode chegar a 37,5%
EUA isentam 471 produtos brasileiros de nova tarifa de 12,5%, mas taxa total pode atingir 37,5% para itens não listados. Medida visa combater trabalho forçado.

Os Estados Unidos anunciaram a isenção de 471 produtos brasileiros da nova tarifa de 12,5%, imposta sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. A lista de exceções, divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), inclui itens estratégicos como café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja e derivados de açaí.
A nova tarifa, que entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24), se soma a uma sobretaxa de 25% já aplicada desde quarta-feira (22). Para os produtos que não constam na lista de isenções, a tributação total pode atingir 37,5% sobre as exportações brasileiras. A medida substitui uma tarifa global temporária de 10% vigente desde fevereiro.
## Motivação e Alcance da Nova Tarifa
A decisão americana baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que aponta o Brasil como um dos 54 países que não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Segundo o USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida para os países em questão. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a prática é inaceitável e prejudica empresas e trabalhadores americanos.
Entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em segmentos como alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. Embora o país possua legislação e a chamada "Lista Suja do Trabalho Escravo", os EUA avaliam que os mecanismos de fiscalização são insuficientes para barrar a entrada desses bens.
A investigação inicial abrangeu 60 parceiros comerciais. Além do Brasil, outros 53 países recebem a sobretaxa de 12,5%, enquanto Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia terão uma tarifa adicional de 10%.