EUA: Inflação pode persistir por anos apesar de sinais de melhora

Inflação nos EUA mostra sinais de melhora com queda mensal em junho, mas analistas preveem persistência de preços elevados por anos devido a custos de serviços e insumos.

EUA: Inflação pode persistir por anos apesar de sinais de melhora

## Inflação nos EUA: Um Cenário de Longo Prazo

Embora o pior da recente onda inflacionária nos Estados Unidos possa ter ficado para trás, o país pode enfrentar preços elevados por vários anos. Dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho indicam que os preços ao consumidor registraram uma queda de 0,4% em junho, a primeira variação negativa mensal em dois anos. Essa redução é amplamente atribuída à queda nos preços do gás e do petróleo no mês anterior.

No entanto, ao analisar o cenário sem a volatilidade dos combustíveis, a perspectiva inflacionária se mostra menos otimista. Economistas esperavam uma desaceleração na taxa de inflação anual, que atingiu 3,5% nos 12 meses até junho, um recuo em relação aos 4,2% registrados em maio. Os consumidores geralmente percebem o aumento de preços quando a média ultrapassa 2%, meta estabelecida pelo Federal Reserve. A queda nos custos de energia não apaga os impactos de aumentos anteriores em bens essenciais e insumos, cujos custos foram absorvidos pelas empresas e ainda se refletem no sistema.

## Pressão Persistente nos Preços e Serviços

O indicador de inflação subjacente, que exclui os custos de energia e alimentos, fornece uma visão mais clara da disseminação dos aumentos. Essa inflação subjacente já estava em 2,5% antes de eventos geopolíticos recentes e aumentou mensalmente até atingir 2,9% ao ano em maio. Especialistas apontam que empresas têm repassado custos de tarifas e outros aumentos, contribuindo para a persistência da inflação.

Um fator crucial é a chamada inflação "persistente", especialmente no setor de serviços. Preços de serviços como cortes de cabelo, consultas médicas e manutenções veiculares tendem a aumentar de forma contínua e raramente entram em promoção. A desinflação, ou a desaceleração no ritmo de aumento de preços, é mais lenta neste setor devido ao seu alto custo de mão de obra, diferentemente dos bens, cujos preços flutuam com oferta e demanda. Com quase três quartos da economia americana baseada em serviços, essa persistência representa um desafio.

## Perspectivas e Setores Afetados

Boas notícias vêm do setor imobiliário, que compõe a maior parte do Índice de Preços ao Consumidor. A inflação relacionada à habitação tem apresentado uma trajetória de desinflação lenta, mas constante, retornando a níveis vistos entre 2016 e 2019. Contudo, a inflação em serviços essenciais, excluindo o setor imobiliário, tem se mostrado surpreendentemente persistente e até acelerou no primeiro semestre do ano. Economistas alertam para a possibilidade de uma nova onda inflacionária que se some aos aumentos já existentes, prolongando o período de preços elevados para os consumidores americanos.