EUA impõem tarifas sobre exportações brasileiras; Brasil responde com linhas de crédito
EUA impõem tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, afetando US$ 7,4 bilhões. Brasil responde com programa de crédito 'Brasil Soberano' e defende Pix e etanol.

O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (16) um reforço ao programa Brasil Soberano como resposta à sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrará em vigor na próxima quarta-feira (22). A medida, considerada uma "interferência externa indevida" pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, visa apoiar empresários afetados pela nova política comercial americana.
## Impacto das Tarifas
Segundo o governo, o "tarifaço" americano atinge aproximadamente 18% das exportações brasileiras aos EUA, totalizando cerca de US$ 7,4 bilhões em 2024. Para 2025, essa participação deve cair para 15%, representando US$ 5,8 bilhões. O ministro Márcio Elias Rosa (Indústria, Comércio e Serviços) destacou que setores como máquinas e equipamentos, madeira e móveis, e borracha e pneus são os mais afetados.
Outras instituições apresentaram estimativas divergentes. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que a nova rodada de tarifas pode comprometer 26% da pauta de exportações brasileiras para os EUA. Já a MB Associados estima que US$ 9,51 bilhões (25,2% do valor exportado) estejam em risco, com base em dados de 2025.
## Negociações e Pontos de Atrito
As negociações entre Brasil e EUA para evitar as novas taxas se intensificaram desde junho, com o Brasil propondo abertura de mercados em troca, mas se recusando a ceder em temas como o Pix e o etanol. O governo americano, através do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), elencou críticas em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.
O Pix, em particular, é visto pelos EUA como um favorecimento do Banco Central brasileiro em detrimento de operadoras de cartão de crédito americanas. O governo brasileiro, por sua vez, defende o sistema de pagamento instantâneo como um avanço e um símbolo de soberania nacional. O ministro João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães, rebateram as acusações americanas sobre desmatamento e combate à corrupção, respectivamente, citando relatórios da OCDE que reconhecem avanços do Brasil.
## Resposta do Governo Brasileiro
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida dos EUA como "injusta e descabida", ressaltando o superávit comercial americano com o Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo reforçará as linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, com valores esperados inferiores aos destinados em iniciativas anteriores, como os R$ 30 bilhões em agosto de 2025 e os R$ 15 bilhões em março deste ano. A decisão final sobre o montante e as condições caberá ao presidente Lula, que também avaliará a opção pela Lei de Reciprocidade.