EUA impõem tarifas recordes; Brasil lidera aumento de impostos
Brasil lidera aumento de tarifas americanas desde retorno de Trump, com alíquotas subindo de 1,19% para 14,42%. Medidas são retaliação a práticas comerciais consideradas desleais.

## Tarifaço Americano Impacta o Brasil
O Brasil se tornou o país que mais viu suas tarifas de exportação para os Estados Unidos aumentarem desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Um anúncio recente do governo americano, com novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, eleva a tarifa efetiva média dos EUA contra o Brasil de 1,19% em janeiro de 2025 para 14,42% ao final deste mês. Este salto de mais de 13 pontos percentuais coloca o Brasil na vanguarda dos países afetados por essa política comercial. Os dados compilados pela iniciativa Global Trade Alert (GTA), sediada na Suíça, indicam que nenhum outro país entre os 30 maiores exportadores para os EUA experimentou um aumento tão drástico nas alíquotas.
## Comparativo e Impacto Global
Outras nações também sofreram elevações, mas em menor escala. A Coreia do Sul teve um aumento de 9,57 pontos percentuais, seguida pela Tailândia (8,39 pp), Japão (7,7 pp) e China (7,48 pp). Antes das novas medidas, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking de países com maiores tarifas efetivas nos EUA. Com o novo tarifaço, o país ultrapassou Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália, aproximando-se da China, que terá uma tarifa efetiva média de 21,5% para seus produtos importados pelos americanos. Segundo o GTA, apenas um quarto dos produtos brasileiros exportados para os EUA, totalizando cerca de US$ 8,5 bilhões de um total de US$ 39,6 bilhões em 2024, estarão sujeitos à alíquota máxima de 25%.
## Contexto da Investigação Comercial
A imposição dessas tarifas é resultado de uma investigação comercial iniciada em julho do ano passado, na qual os EUA acusam o Brasil de práticas comerciais desleais. Em junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) havia sugerido medidas de retaliação, incluindo tarifas de 25%. A decisão final, anunciada na quarta-feira (15/07), é ligeiramente mais branda do que a proposta original, que elevaria as tarifas efetivas médias a 14,89% segundo os cálculos do GTA. As tarifas incidem sobre uma vasta gama de produtos, como açúcar, máquinas agrícolas, vestuário, papel e aço, embora uma lista de exceções tenha sido divulgada, incluindo produtos como mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel. O governo americano realizou consultas públicas e recebeu argumentos de setores industriais dos EUA sobre a necessidade de isentar alguns produtos brasileiros devido à dificuldade de substituição ou risco de interrupção na cadeia de suprimentos.