EUA impõem tarifas mais altas para o Brasil entre parceiros
EUA elevam tarifas sobre produtos brasileiros para até 37,5%, a maior alta entre parceiros comerciais, enquanto Europa tem alívio nas taxas.

Os Estados Unidos implementaram uma nova estrutura tarifária que impacta de forma desproporcional o Brasil, elevando as tarifas efetivas cobradas sobre produtos brasileiros. Segundo análise do Financial Times, baseada em dados da Global Trade Alert (GTA), a alíquota sobre mercadorias brasileiras saltou de 11% para 17,7%. Em alguns casos, as tarifas podem atingir 37,5%, de acordo com o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), que anunciou um aumento de 25% sobre produtos brasileiros em 15 de julho. A medida começou a valer nesta sexta-feira (24 de julho de 2026).
## Impacto Desigual para Parceiros Comerciais
Enquanto o Brasil enfrenta um aumento substancial, países europeus como Bélgica, Espanha e Itália observaram uma queda nas tarifas efetivas, variando entre 1% e 1,5%. França, Reino Unido e Alemanha também registraram recuos nas taxas. Essa disparidade se deve, em parte, à composição das exportações europeias e ao aproveitamento de isenções para produtos específicos, como diamantes e ferro-gusa. A União Europeia também se beneficia de uma tarifa geral de 10% que não é cumulativa com outras taxas, ao contrário de regimes anteriores.
Outros parceiros asiáticos e latino-americanos também foram afetados, embora em menor grau. China, Vietnã e Indonésia viram seus impostos aumentarem entre 0,5% e 1%, enquanto Chile e Colômbia tiveram elevações semelhantes. A decisão de basear a nova estrutura na Seção 301 visa aumentar a resistência jurídica das tarifas, tornando mais difícil que uma decisão judicial única anule todas as cobranças.
## Contexto e Dados da Tarifa
As novas tarifas foram impostas após uma decisão da Suprema Corte dos EUA no início de 2026, que considerou ilegais as tarifas amplas anunciadas em abril de 2025. A tarifa média global cobrada pelos EUA sobre produtos importados, contudo, permanece relativamente estável em 10,8%, segundo a GTA. A Global Trade Alert é uma organização independente que monitora o comércio global e tem sede na Suíça. Antes do novo pacote de tarifas, o Brasil tinha uma tarifa efetiva média de 11,66%, empatado com o Uruguai e atrás do Paraguai (12,92%). Com as novas taxas, a tarifa de importação para o Brasil atinge 18,17%, segundo o GTA, tornando-a a maior entre os países da América do Sul.