EUA impõem tarifas e afetam exportações brasileiras; Alagoas e SP lideram impacto
Novas tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros elevam o país ao 2º lugar em restrições comerciais. Alagoas e São Paulo lideram o impacto nas exportações, afetando setores como o de açúcar e a indústria em geral.

Os Estados Unidos impuseram novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho, elevando o Brasil à segunda posição no ranking global de países mais tarifados pelos norte-americanos. Segundo o levantamento do GTA (Global Trade Alert), a tarifa efetiva média aplicada aos produtos brasileiros atingirá 18,2% após a implementação das novas sobretaxas, ficando atrás apenas da China, com 27% de tarifa média.
## Impacto nas Exportações Brasileiras
A medida, anunciada em fevereiro e confirmada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) na última quarta-feira (15), tem como justificativa o alegado prejuízo de certas políticas brasileiras ao comércio norte-americano. Representantes da indústria brasileira buscaram reverter a decisão, mas os esforços não foram suficientes para impedir a adoção. A Amcham Brasil estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, o equivalente a 26% do total vendido pelo Brasil aos EUA, poderão ser afetados. A entidade destacou o contraste com o superávit comercial de US$ 41,8 bilhões dos EUA com o Brasil em 2025.
Um relatório do Goldman Sachs projeta uma tarifa efetiva de 16,8%, com potencial redução de US$ 1 bilhão no fluxo comercial e impacto de 0,03% no PIB brasileiro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou apreensão, indicando que 20 de 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os EUA no primeiro trimestre de 2026. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) alertou para o aumento da insegurança no comércio internacional e impactos negativos sobre investimentos, produção e emprego.
## Usinas Alagoanas e Estados Mais Afetados
As usinas de açúcar de Alagoas estão entre as companhias mais impactadas, de acordo com Carlos Murillo Barros, chefe de açúcar para as Américas na Hedgepoint Global Markets. Embora os EUA tenham destinado uma cota anual de cerca de 150 toneladas de açúcar sem imposto para o Brasil, a nova tarifa de 25% reduzirá significativamente a rentabilidade das exportações nordestinas, apesar de ainda se manterem mais vantajosas que o mercado interno ou internacional sem preferência tarifária.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam uma queda de 79,8% nas exportações alagoanas para os EUA no primeiro semestre, somando US$ 9,7 milhões. Em junho, as vendas despencaram 99,8% em comparação com o ano anterior, registrando apenas US$ 22,2 mil. Um estudo da Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos aponta que São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do "tarifaço". São Paulo registra US$ 3 bilhões em vendas afetadas (41,6% do total), o que representa 20% de suas exportações aos EUA. Santa Catarina, por sua vez, tem 68% de suas exportações aos EUA impactadas, indicando uma situação mais crítica para o estado.