EUA impõem tarifas a 60 países; Brasil e UE cobram diálogo
EUA impõem tarifas a 60 países sob pretexto de combater trabalho forçado; Brasil e UE cobram diálogo e cumprimento de acordos comerciais.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de novas tarifas de 10% a 12,5% sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil e a União Europeia. A justificativa oficial apresentada pela administração Trump é a alegação de que esses países não têm coibido adequadamente as importações provenientes de trabalho forçado em suas cadeias produtivas. No entanto, a medida gerou reações imediatas de protesto e cobranças por diálogo.
## Brasil busca diálogo e diversificação
O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo manterá a negociação com os Estados Unidos como prioridade, apesar das novas tarifas. Ele classificou as justificativas americanas como "injustas" e "descabidas", especialmente a alegação de trabalho forçado no Brasil. Alckmin destacou que a medida afeta um conjunto amplo de países, incluindo membros da União Europeia. Paralelamente, o governo brasileiro está implementando medidas de apoio aos setores atingidos, com a autorização de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito e incentivando a diversificação de mercados de exportação para reduzir a dependência comercial.
## UE e pequenas empresas dos EUA contestam tarifas
A União Europeia expressou expectativa de que os Estados Unidos cumpram integralmente o acordo comercial bilateral, em vigor desde 1º de julho. Um porta-voz da Comissão Europeia ressaltou que o bloco já cumpriu sua parte, que incluiu a redução de tarifas sobre produtos americanos e ampliação do acesso de seus produtos agrícolas ao mercado europeu. O Reino Unido, por sua vez, afirmou que as novas tarifas não afetarão suas empresas, pois o acordo comercial com os EUA permanece em vigor e houve melhorias nas condições para o whisky e a tecnologia médica britânica.
Nos Estados Unidos, duas pequenas empresas entraram com uma ação judicial para contestar as novas tarifas, argumentando que a política excede a autoridade legal do Executivo. A ação, protocolada no Tribunal de Comércio Internacional, alega que as tarifas exigiriam conclusões mais específicas sobre a existência de trabalho forçado para terem respaldo legal, e que Trump estaria tentando restabelecer medidas já consideradas ilegais pela Suprema Corte americana.
## Contexto e implicações
A investigação americana, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, concluiu que diversos países falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No caso do Brasil, a imposição da tarifa de 12,5% pode elevar a carga tarifária sobre alguns itens exportados a até 37,5%, somando-se a impostos já existentes. Exportadores indianos de têxteis e vestuário, por exemplo, devem enfrentar desvantagens frente a concorrentes asiáticos. A Índia, contudo, afirmou que continuará o diálogo para concluir um acordo comercial bilateral, com cerca de 45% de suas exportações para os EUA fora do escopo das novas tarifas. Especialistas apontam que a justificativa de trabalho forçado é contestada, com dados mostrando que os próprios EUA lideram o ranking de importações potencialmente expostas a esse risco. A ofensiva comercial americana também pode ser vista como uma estratégia para proteger sua indústria e aumentar a pressão sobre concorrentes como a China.