EUA impõem tarifa de 25% sobre exportações brasileiras; empresários culpam eleições
Nova tarifa de 25% dos EUA sobre exportações brasileiras gera polêmica. Empresários apontam interferência eleitoral e trocam acusações com o governo sobre a responsabilidade.

Empresários brasileiros e associações setoriais apontam que a disputa política e as eleições no Brasil podem ter influenciado a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre uma gama de produtos exportados pelo país. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, deve impactar cerca de 18% das exportações nacionais a partir da próxima semana, com o setor madeireiro sendo um dos mais atingidos.
## Repercussão no Setor Industrial
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) emitiu nota atribuindo o chamado "tarifaço" a negociações com componentes políticos. A entidade defende que a resolução da questão deveria ser tratada com urgência e prioridade política, com uma atuação governamental mais efetiva e focada na diplomacia, em vez de envolver elementos políticos que penalizam a indústria nacional. A Abimci sugere que a negociação deveria ser dissociada de fatores eleitorais e de disputas partidárias.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também se pronunciou, responsabilizando o governo brasileiro por "ruídos diplomáticos desnecessários" e uma condução que não foi "técnica e pragmática". Segundo a Fiesp, críticas personalistas, discursos eleitorais e o desalinhamento político com Washington prejudicaram vínculos bilaterais centenários. A entidade considera que a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma abordagem diferente por parte do Brasil.
## Troca de Acusações e Contexto Político
O Palácio do Planalto, por sua vez, responsabiliza a família Bolsonaro pela imposição da tarifa. A Casa Civil alegou que a participação do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em audiências públicas nos EUA, pedindo o adiamento da tarifa, colaborou para o desfecho negativo. A nota oficial do governo brasileiro descreveu a família Bolsonaro como "falsos patriotas" que arquitetaram ações contra o país por objetivos eleitoreiros.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu a "culpa" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que, enquanto ele buscava evitar a tarifa nos EUA, Lula "preferiu provocar Trump" e que o Brasil sequer enviou representantes para defender seus interesses. Ele criticou as políticas econômicas do governo atual, considerando-as prejudiciais para brasileiros e americanos.
## Detalhes da Taxação e Prazos
O presidente dos EUA, Donald Trump, acatou a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para impor a sobretaxa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Uma exceção foi aberta para produtos já embarcados antes de 22 de julho, desde que cheguem aos Estados Unidos até 29 de julho. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que a tarifa foi aplicada porque o governo do presidente Lula "não negociou com os EUA de boa-fé", colocando seu ego à frente do bem-estar do povo brasileiro.