EUA impõem novas tarifas sobre exportações brasileiras; Brasil prioriza diálogo
EUA aplicam nova tarifa de 12,5% sobre exportações brasileiras, elevando o total para até 37,5%. Brasil foca em negociação, mas avalia reciprocidade e busca diversificar mercados.

O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, com uma sobretaxa adicional de 12,5%. Essa nova medida, parte de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado, pode elevar o imposto total sobre alguns produtos brasileiros para 37,5%, somando-se à tarifa de 25% já em vigor desde a semana passada. A medida impacta cerca de 47,3% das exportações brasileiras para os EUA, segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
## Negociação como prioridade
Diante do novo cenário, o vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou que a prioridade do governo brasileiro é manter o diálogo com Washington para buscar uma solução. "O que depender de nós é continuar na mesa de negociação", afirmou Alckmin, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Jacareí (SP). Ele classificou as justificativas dos EUA para as tarifas como "injustas" e "descabidas". Apesar de reconhecer que a Lei da Reciprocidade Econômica está disponível como ferramenta de resposta, o governo a considera um caminho mais longo e complexo, priorizando a negociação.
## Medidas de apoio e diversificação
O governo brasileiro também está atuando para mitigar os efeitos das tarifas nos setores produtivos. Foi autorizada a liberação de R$ 18,5 bilhões em medidas de apoio, incluindo linhas de crédito para capital de giro e investimentos. Paralelamente, a estratégia de diversificação de mercados de exportação é vista como fundamental para reduzir a dependência comercial em relação aos Estados Unidos. Governadores, como Tarcísio de Freitas de São Paulo, também defendem a negociação contínua como a única via, alertando que medidas de reciprocidade poderiam agravar a situação.
## Reações e contexto
O Palácio do Planalto criticou a postura do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), considerando o uso das alegações sobre trabalho análogo à escravidão como "arbitrário" para justificar uma política protecionista. O governo brasileiro também informou que pretende recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A nova tarifa se soma a outras já impostas, como a sobretaxa em aço e alumínio prevista para 2025. A investigação que fundamenta as tarifas americanas é um processo em andamento, com expectativas de anúncios sobre outros produtos nos próximos dias.