EUA elevam tarifas sobre produtos brasileiros; frutas são afetadas
EUA impõem maior tarifa média sobre produtos brasileiros na América do Sul a partir de 22 de julho. Frutas como uva, melão e melancia são as mais afetadas, com elevação na tributação.

A partir de 22 de julho, o Brasil passará a ter a maior tarifa média aplicada pelos Estados Unidos entre os países da América do Sul. Segundo o Global Trade Alert (GTA), a tarifa efetiva média para o país saltará de 11,66% para 18,17%. Essa nova taxação, imposta pelo governo de Donald Trump, visa aumentar a competitividade de produtos americanos e pode ter motivações políticas e estratégicas, além das comerciais.
## Motivações por Trás da Nova Tarifa
Especialistas apontam que o Brasil se tornou um alvo preferencial devido a uma combinação de fatores. Carlos Pio, professor da UnB, sugere um desalinhamento ideológico e a priorização de alianças políticas por parte de Trump, em detrimento de relações diplomáticas tradicionais. Ele ressalta que a proximidade pessoal cultivada pelo governo Bolsonaro com Trump, e não com a política americana em geral, pode ter influenciado a decisão. A relevância econômica do Brasil na América Latina, sendo a maior economia da região, também o torna um ponto estratégico nas disputas comerciais e de influência global entre os Estados Unidos e a China, conforme aponta Jan Marcel, professor da UFRN. Celso Figueiredo, advogado especialista em comércio internacional, complementa que as tarifas de Trump se tornaram instrumentos de pressão política e arrecadação fiscal sob a doutrina "America First", com um fundo técnico que parece raso, reforçando o caráter político da medida.
## Impacto no Agronegócio Brasileiro
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) avalia que a nova tarifa adicional de 25% afetará significativamente as exportações de frutas para os Estados Unidos. A uva brasileira é apontada como um dos produtos mais prejudicados, com a tributação total sobre a fruta chegando a 35%. Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 41,5 milhões em uvas para os EUA, o equivalente a aproximadamente 14 mil toneladas. Melão e melancia também foram incluídos na medida, embora o impacto seja considerado menor devido ao perfil e volume de suas exportações. A Abrafrutas já iniciou contato com produtores e exportadores para orientar o setor, buscando alternativas como a diversificação de mercados e novas estratégias comerciais. A entidade relembra a resiliência do setor em situações anteriores, como na exportação de manga, onde produtores reorganizaram operações e ampliaram mercados para minimizar impactos econômicos.