EUA debatem tarifas de 25% a produtos brasileiros; Flávio Bolsonaro discursa
EUA realizam audiência pública sobre tarifas de 25% a produtos brasileiros. Flávio Bolsonaro discursa contra sobretaxa, enquanto governo brasileiro contesta e envia observadores.

Uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está em andamento em Washington para debater a proposta de imposição de tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Ao menos 40 entidades e empresas, tanto brasileiras quanto americanas, inscreveram-se para apresentar seus argumentos ao longo de dois dias de discussões, que se estendem até esta terça-feira (7).
Entre as organizações brasileiras credenciadas para discursar estão a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), e a Embraer. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, também figura entre os inscritos e fará uma fala de cinco minutos. Ele deve defender a não implementação da sobretaxa e pedir por soluções dialogadas entre os países.
A investigação do USTR, instaurada em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, analisa seis aspectos das práticas brasileiras: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Cada participante tem até cinco minutos para expor seus pontos.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, contestou as conclusões preliminares do USTR, argumentando que as práticas comerciais do Brasil não prejudicam os EUA e que a legislação americana não autoriza medidas unilaterais baseadas em discordâncias políticas. O governo brasileiro também decidiu enviar observadores da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar a audiência, sem participação ativa.
Flávio Bolsonaro, em documento de 86 páginas enviado às autoridades americanas, solicitou a suspensão das tarifas até depois das eleições brasileiras de outubro, alegando que a medida poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também pediu que o Pix não seja incluído na disputa comercial.
Por outro lado, o blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, desistiu de participar presencialmente da audiência após a repercussão negativa de um vídeo em que criticava o voto feminino. Ele optou por enviar suas contribuições por escrito. A participação de Flávio na audiência visa, segundo analistas, reposicioná-lo como negociador e tentar reverter reveses recentes em sua pré-campanha.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros está prevista para até 15 de julho. Paralelamente, o governo brasileiro busca avançar em negociações bilaterais, tendo apresentado uma proposta de redução de taxas em cerca de 300 linhas tarifárias, incluindo equipamentos para saúde e tecnologia da informação, e um plano de ação para demonstrar compromisso com os temas levantados na investigação.