EUA Aumentam Tarifa sobre Produtos Brasileiros para 37,5%
EUA impõem tarifa de 12,5% a produtos brasileiros, elevando tributação total a 37,5%, sob alegação de trabalho forçado. Brasil critica medida e anuncia recurso à OMC.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando a tributação total para até 37,5% em algumas exportações. A medida, que entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24), foi justificada pelo governo americano sob a alegação de que o Brasil não possui mecanismos eficazes para coibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Esta nova tarifa substitui uma taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma a outra sobretaxa de 25% já em vigor.
## Investigação e Justificativas Americanas
A decisão partiu do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. De acordo com o USTR, o Brasil faz parte de um grupo de 54 nações que não proíbem ou fiscalizam adequadamente a entrada de bens fabricados sob condições de trabalho forçado em seus mercados. O governo americano considera que essa falha gera uma vantagem competitiva desleal, pois permite a circulação de produtos com custos de produção menores. Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, declarou que a prática prejudica empresas e trabalhadores americanos, tornando a situação "inaceitável" e criando uma "competição em campo desigual".
O relatório aponta que o Brasil importou, entre 2021 e 2025, produtos associados ao trabalho forçado em cinco setores específicos. A preocupação dos EUA é que esses itens entrem no mercado brasileiro com preços artificialmente baixos, impactando a competitividade das exportações brasileiras. Embora o Brasil participe de acordos internacionais e mantenha a Lista Suja do Trabalho Escravo, os EUA consideram os mecanismos nacionais insuficientes.
## Reações e Próximos Passos
A nova tarifa de 12,5% atinge outros 53 países, incluindo China, Argentina e Japão, além do Brasil. Canadá, México e a União Europeia, entre outros, receberam uma taxa adicional de 10% por possuírem controles legais, ainda que considerados insatisficientes pelos americanos. Esta medida se soma a uma tarifa de 25% imposta anteriormente sobre outras exportações brasileiras, motivada por acusações de práticas comerciais desleais em áreas como etanol, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro reagiu criticando a nova tarifa, classificando-a como "arbitrária" e "injustificada". Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) informou que o Brasil apresentou dados sobre sua legislação e fiscalização, além de destacar o reconhecimento internacional no combate ao trabalho escravo. O governo brasileiro pretende recorrer aos mecanismos da Lei de Reciprocidade e levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) para solução de controvérsias. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia considerado sanções desproporcionais.