EUA aplicam sobretaxas a agro brasileiro; 53% das exportações seguem isentas

Novas tarifas dos EUA afetam 47% das exportações do agro brasileiro, com destaque para mel e pescados. CNA contesta medida, citando legislação rigorosa contra trabalho forçado no país.

EUA aplicam sobretaxas a agro brasileiro; 53% das exportações seguem isentas

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estima que 53% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos não serão afetadas pelas novas sobretaxas impostas pelo governo americano. No entanto, produtos como mel e pescados, que têm os EUA como principal destino, sofrerão tarifas significativas. A medida, que inclui uma taxa de 12,5% para diversos parceiros e uma específica de 25% para o Brasil, foi justificada pelos americanos sob a alegação de falhas na importação de produtos que poderiam ter utilizado trabalho forçado.

## Impacto das Tarifas

De acordo com a análise da CNA, os itens submetidos às duas tarifas combinadas representam cerca de 32,9% do valor total das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA. Outros 12% dos produtos serão afetados exclusivamente pela tarifa adicional de 12,5%, decorrente da investigação sobre trabalho forçado. Um exemplo notório é o das gorduras de animais, onde 82,2% das exportações destinadas aos EUA enfrentarão uma taxação de 35,7%.

## Posição da CNA

Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA, destacou que os Estados Unidos são o terceiro maior mercado para as exportações do setor agropecuário brasileiro e o principal destino para cadeias específicas que agora enfrentam a sobretaxa de 12,5%, como pescados e mel. Cerca de 50% das exportações de pescados e impressionantes 84% das exportações de mel têm o mercado americano como destino.

A CNA informou ter apresentado ao governo americano evidências da robustez do marco legal e institucional brasileiro no combate ao trabalho forçado, além de demonstrar o rigor aplicado especificamente no setor agropecuário. A entidade argumentou que a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros não contribui para a erradicação do trabalho forçado e penaliza produtores que cumprem a legislação, geram empregos e operam de forma responsável. A alta competitividade do agronegócio brasileiro, segundo a CNA, não está ligada a práticas ilegais nem prejudica a produção norte-americana.