EUA aliviam tarifas sobre 2.000 produtos brasileiros
EUA anunciam que 2.000 produtos brasileiros não sofrerão dupla taxação, mas setores industriais enfrentarão alíquotas maiores. Brasil contesta justificativa e busca diálogo.

O governo brasileiro informou que aproximadamente 2.000 produtos exportados ao mercado dos Estados Unidos não serão mais submetidos à dupla tributação recentemente anunciada pelas autoridades norte-americanas. O ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, detalhou que uma parcela desses itens passará a ser taxada em 12,5%, a nova alíquota estabelecida pelos EUA.
## Impactos Setoriais da Nova Tarifação
No entanto, setores considerados estratégicos, como máquinas, autopeças, implementos industriais, têxteis e confecções, enfrentarão uma carga tributária acumulada de 37,5%. Essa incidência resulta da soma da tarifa anterior de 25% com a nova alíquota de 12,5%. O ministro declarou que a medida adotada pelos Estados Unidos é rejeitada pelo Brasil, e que os impactos variarão conforme a classificação comercial dos produtos.
Produtos como carne, café, suco de laranja, frutas, celulose e pescados estão entre aqueles que não sofrerão a incidência combinada das tarifas, permanecendo sujeitos apenas à nova taxa de 12,5%. A lista completa de mercadorias afetadas ainda está sob análise detalhada pelo governo brasileiro, visando identificar com precisão os efeitos sobre cada segmento da economia exportadora.
## Resposta Brasileira e Diálogo Diplomático
O ministro Márcio Elias Rosa também contestou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a imposição das tarifas, que seria o combate ao trabalho escravo. Segundo ele, o Brasil possui compromissos internacionais e fiscalização ativa contra essa prática, além de aderir às convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O governo brasileiro sinalizou que poderá utilizar instrumentos da Lei da Reciprocidade Econômica para responder a medidas consideradas unilaterais.
Apesar disso, a prioridade do governo, sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é manter o diálogo diplomático com os EUA. A expectativa é que as negociações resultem na retirada das tarifas ou na ampliação das exceções, minimizando o impacto comercial para o Brasil antes que quaisquer medidas de retaliação sejam consideradas. A busca por uma solução negociada permanece como o principal foco diplomático.