Etanol impulsiona vendas de combustíveis no 2º semestre
Vendas de combustíveis, impulsionadas pelo etanol, devem crescer no 2º semestre. Competitividade do biocombustível e recuperação econômica são fatores chave.

O consumo de combustíveis do ciclo Otto, englobando gasolina C e etanol hidratado, tem projeção de crescimento no segundo semestre do ano, com o etanol apontado como principal motor dessa expansão. Uma análise realizada pela consultoria Argus, em parceria com distribuidoras do país, indica que a demanda será impulsionada pela recuperação da atividade econômica e pela vantagem competitiva do biocombustível em relação à gasolina.
As estimativas apontam que a comercialização conjunta de gasolina C e etanol hidratado deve atingir aproximadamente 5,6 bilhões de litros nos meses de julho e agosto. Se confirmada, essa previsão representa um aumento de 5,6% em julho e 4,5% em agosto, quando comparado aos mesmos períodos de 2025, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
## Etanol em Destaque
Maria Albuquerque, responsável pela precificação de diesel na Argus, atribui o desempenho positivo ao aumento da renda, do emprego e da atividade econômica, fatores que naturalmente elevam a demanda por combustíveis. No entanto, o etanol hidratado se destaca como o principal protagonista. A expectativa é de um consumo de cerca de 1,7 bilhão de litros em cada um dos meses de julho e agosto, o que significaria um crescimento expressivo de 17% em julho e 19% em agosto, em relação ao ano anterior.
A maior competitividade do etanol é o fator chave para esse crescimento. Na primeira semana de julho, a relação de preço entre o etanol e a gasolina ficou em 61,7%, um patamar inferior aos 66,7% registrados no mesmo período de 2025, tornando o biocombustível uma opção mais vantajosa para os consumidores em diversas regiões do Brasil.
Enquanto isso, a gasolina C deve manter um consumo mensal próximo de 3,9 bilhões de litros, apresentando estabilidade em julho e uma leve queda de 1% em agosto, comparado ao ano anterior. É importante notar que essas projeções ainda não consideram o impacto do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que subiu de 30% para 32% em decisão do governo federal anunciada em 14 de julho. Essa medida tem potencial para elevar ainda mais o consumo de etanol pelas distribuidoras nos próximos meses.
## Perspectivas para o Diesel e Biodiesel
No segmento do diesel, as projeções indicam um cenário mais modesto. As distribuidoras estimam vendas em torno de 6,3 bilhões de litros para julho e agosto. Esse volume representa uma queda de 1,4% em julho, seguida por uma recuperação de 3,8% em agosto, resultando em um crescimento acumulado de 1,1% para o bimestre em comparação com o ano anterior.
Com a mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel B, em vigor desde agosto de 2025, a demanda por este biocombustível deve atingir quase 1,9 bilhão de litros no bimestre, um aumento de 5% na comparação anual.
A Argus interpreta essas projeções como reflexo de expectativas positivas para a economia brasileira, levando em conta indicadores como o crescimento do PIB, o aumento da renda e o bom desempenho de setores que demandam intensamente combustíveis, como transporte, logística e agronegócio. Para o setor sucroenergético, o cenário reforça a tendência de fortalecimento da demanda interna por etanol, que já se beneficiava de preços mais competitivos e agora tende a receber um impulso adicional com o aumento de sua participação na composição da gasolina.