Empresas Alemãs Deslocam Produção e Empregos para o Exterior
Empresas alemãs buscam reduzir custos e mitigar riscos globais transferindo operações e empregos para o exterior. América do Norte perde espaço, enquanto Ásia ganha atratividade.

Empresas alemãs, de diversos portes, continuam a estratégia de transferir operações para o exterior, um movimento que levanta preocupações sobre o futuro do emprego na Alemanha. Um exemplo notório é a Gardena, fabricante de ferramentas de jardinagem, que planeja demitir 250 funcionários em Ulm, reduzindo sua força de trabalho em 10%, e realocar parte de suas atividades para a República Tcheca.
Grandes corporações, como a gigante química Basf, também intensificam seus investimentos internacionais. No início de 2026, a empresa anunciou a intenção de mover posições de serviços para a Índia, impactando diretamente postos de trabalho em sua unidade de Berlim. Relatos de novembro do ano passado, baseados em dados do Departamento Federal de Estatística (Destatis) entre 2018 e 2023, já indicavam uma "crise industrial da Alemanha em ritmo acelerado".
## Impacto nos Empregos e Cenários Divergentes
Entre 2021 e 2023, aproximadamente 1.300 empresas alemãs com mais de 50 funcionários transferiram funções de negócios para fora do país. Essa tendência, que representa 2,2% das empresas de porte similar na Alemanha em 2023, teria resultado na perda de cerca de 50.800 empregos. Os altos custos de energia e mão de obra na Alemanha eram apontados como os principais motivadores para essa migração.
No entanto, o banco estatal de desenvolvimento alemão KfW apresentou uma perspectiva diferente em junho. Sua pesquisa indicou que muitas empresas de médio porte estão, na verdade, reduzindo sua presença internacional. O número de empresas alemãs de médio porte atuando no exterior caiu de cerca de 880 mil em 2022 para aproximadamente 760 mil no ano seguinte. Segundo o economista-chefe do KfW, Dirk Schumacher, as tensões geopolíticas globais, a concorrência asiática e políticas comerciais protecionistas dos EUA deterioraram as condições para o comércio exterior.
## Pressões de Custos e Mudança de Estratégia
A Associação das Câmaras de Comércio e Indústria Alemãs (DIHK), contudo, mantém um diagnóstico mais preocupante. Uma pesquisa sobre o clima de negócios no início de 2026 revelou que 43% das empresas industriais planejam investimentos estrangeiros, um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O porta-voz da DIHK, Sven Ehling, e o diretor de Comércio Internacional, Volker Treier, atribuem essa decisão a pressões recordes de custos, problemas estruturais e condições econômicas desfavoráveis na Alemanha.
Historicamente, investimentos no exterior fortaleciam as operações domésticas. Contudo, a pesquisa da DIHK mostra uma queda na porcentagem de empresas que investem para desenvolvimento de mercado (de 30% para 28%). Atualmente, a principal motivação para investimentos estrangeiros é a redução de custos, o que frequentemente leva a cortes significativos nas unidades alemãs. O professor Steffen Müller, do Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica de Halle, corrobora essa visão, apontando que os investimentos diretos de empresas alemãs no exterior estão abaixo dos níveis máximos, com valores anuais que variaram entre 80 e 120 bilhões de euros entre 2017 e 2025, sem indicar um fluxo de capital significativamente maior saindo do país.
## Destinos dos Investimentos
A pesquisa também aponta para uma mudança nos destinos preferenciais dos investimentos alemães. A América do Norte perdeu atratividade, com a participação de empresas planejando investir na região caindo de 48% para 44%. Em contrapartida, os investimentos na Ásia estão em ascensão.