Dona de Habib’s e Ragazzo obtém proteção judicial contra dívida de R$ 312 milhões
Grupo Gennius, dono de Habib's e Ragazzo, com dívida de R$ 312 milhões, obtém proteção judicial de 60 dias em SP para negociar passivos e evitar execuções.

O Grupo Gennius Brasil, controlador das redes de restaurantes árabes Habib’s e Ragazzo, além das churrascarias Tendall Grill e Mita, obteve uma tutela cautelar na Justiça de São Paulo. A decisão, concedida pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, suspende por 60 dias as execuções e cobranças de credores, permitindo que a empresa negocie um passivo de aproximadamente R$ 312,4 milhões. O juiz Jomar Juarez Amorim também determinou a continuidade de serviços essenciais à operação durante este período.
## Proteção Judicial e Negociação de Dívidas
A medida abrange 174 empresas ligadas ao grupo, incluindo controladoras, cozinhas centrais e lojas próprias, além dos administradores Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto. O objetivo da proteção judicial é dar fôlego para que a companhia conduza negociações com seus credores antes de uma eventual solicitação de recuperação judicial. O Habib’s confirmou o pedido, declarando que a intenção é negociar os passivos financeiros acumulados nos últimos anos desafiadores e assegurou que todas as unidades continuam operando normalmente em todo o país.
A decisão, no entanto, negou o pedido para liberação de recebíveis e investimentos que foram cedidos fiduciariamente como garantia a instituições financeiras, mantendo as chamadas travas bancárias. Segundo os autos do processo, mais de R$ 300 milhões do endividamento total do grupo correspondem a dívidas bancárias. Antes de buscar a tutela cautelar, o Grupo Gennius já havia iniciado um procedimento de mediação com credores no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Foro Regional de Santo Amaro, em São Paulo.
## Causas da Dificuldade Financeira
Em sua petição, a empresa alegou ter enfrentado dificuldades na manutenção de serviços essenciais, com registros de interrupção no fornecimento de água em uma unidade e risco de suspensão de serviços de empresas como Oracle e de energia elétrica. A Justiça, ao determinar a manutenção desses serviços, reconheceu que tais interrupções poderiam comprometer a operação. O Grupo Gennius atribui a deterioração de sua situação financeira a diversos fatores, incluindo os impactos da pandemia de Covid-19 na operação de lojas físicas, as mudanças no comportamento do consumidor impulsionadas pelo avanço do delivery e o aumento do custo de capital em um cenário de juros elevados. A disseminação de plataformas de marketplace também foi apontada como um fator.
Entre os credores sujeitos à mediação estão fornecedores da indústria de alimentos, como Seara Alimentos, JBS/Friboi, Bunge Alimentos, e empresas de tecnologia e serviços como Oracle do Brasil, Totvs, Google Brasil e Uber do Brasil. A extensão da tutela cautelar aos administradores Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto também está sob análise, com o Ministério Público de São Paulo solicitando comprovações da integração operacional, financeira e patrimonial de suas atividades rurais com as empresas do grupo.