Dólar sobe e flerta com R$ 5,10 com fatores externos e 'tarifaço'

Dólar sobe 0,40% e atinge R$ 5,0990 com aversão ao risco global, guerra no Oriente Médio e 'tarifaço' dos EUA sobre produtos brasileiros, gerando incertezas econômicas e políticas.

Dólar sobe e flerta com R$ 5,10 com fatores externos e 'tarifaço'

O dólar registrou uma alta firme frente ao real nesta quinta-feira (16), aproximando-se da marca de R$ 5,10. O cenário internacional de aversão ao risco, marcado pela desconfiança no setor de inteligência artificial (IA) e pela incerteza em relação ao desenrolar da guerra no Oriente Médio, contribuiu para a valorização global da moeda americana.

## Fatores Externos e Domésticos

Além do ambiente externo desfavorável a moedas emergentes, o mercado brasileiro lidou com o desconforto gerado pela confirmação da imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Embora uma lista de exceções e dúvidas sobre o impacto econômico real existam, a medida abala o cenário político e econômico. O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, subiu cerca de 0,25%, indicando a força da moeda americana globalmente. Dados de atividade nos EUA e declarações de dirigentes do Federal Reserve também impulsionaram o dólar.

## Desempenho e Análises

O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,0990, após atingir uma máxima de R$ 5,1139. Apesar da alta diária, a moeda americana acumula um recuo de 0,18% na semana e 1,24% em julho. Especialistas atribuem a alta do câmbio nesta quinta-feira principalmente ao movimento global de "risk-off", com o "tarifaço" já precificado. A volatilidade é vista como episódica, com a moeda brasileira apresentando desempenho similar a outras divisas emergentes. Analistas apontam que o real é beneficiado pelo aumento dos preços do petróleo e pelo "carry trade", mas a perspectiva de cortes na taxa Selic e o aperto monetário nos EUA limitam uma forte apreciação.

## Repercussão e Próximos Passos

Pesquisas indicam concordância com a afirmação de que o tarifaço foi solicitado por Flávio Bolsonaro aos EUA. O governo brasileiro sinalizou que "saberá, no momento adequado, como implementar a Lei da Reciprocidade para responder ao tarifaço". No entanto, alguns economistas ressaltam que a influência do "tarifaço" no câmbio é limitada, sendo mais dependente de conflitos geopolíticos e do fluxo cambial global. As tensões no Oriente Médio, com ataques ao Irã e ameaças de bloqueio de rotas de petróleo, também adicionam incerteza ao mercado. O contrato do Brent para setembro recuou ligeiramente, apesar dos atritos na região.