Dólar sobe e fecha a R$ 5,11 em dia de aversão global ao risco

Dólar fecha em alta a R$ 5,11 em dia de aversão global ao risco por conflito no Oriente Médio e temores com tecnologia. Banco projeta cautela com o real devido a riscos políticos e fiscais.

Dólar sobe e fecha a R$ 5,11 em dia de aversão global ao risco

O dólar comercial registrou alta nesta sexta-feira (17), alinhado ao comportamento da moeda americana em relação a outras divisas emergentes. O dia foi marcado por forte aversão global ao risco, impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio, que provocou um novo aumento nos preços do petróleo, e por um expressivo recuo nas ações de empresas de tecnologia.

## Mercado de Câmbio e Fatores Globais

No fechamento do mercado à vista, o dólar avançou 0,25%, cotado a R$ 5,1112. Durante o pregão, a moeda oscilou entre a máxima de R$ 5,1328 e a mínima de R$ 5,1052. Na semana, o dólar acumulou uma leve valorização de 0,50%. O euro comercial também encerrou o dia em alta, subindo 0,27% e sendo negociado a R$ 5,8484.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a seis moedas desenvolvidas, recuava 0,04% no final da tarde. Em contraste, o dólar se fortalecia ante outras moedas de economias emergentes, com alta de 0,53% contra o peso mexicano e de 0,72% frente ao rand sul-africano. Essa tendência de valorização global do dólar refletiu a busca de investidores por segurança e liquidez em meio à instabilidade.

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã foi um dos principais fatores de pessimismo, amplificado por um amplo movimento de vendas de ações de tecnologia na Ásia, Europa e Estados Unidos. Essa conjuntura levou investidores a buscar refúgio em ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos da dívida pública americana (Treasuries).

## Perspectivas para o Real e Riscos Domésticos

Apesar do cenário internacional adverso, o real não foi tão penalizado quanto a maioria de suas moedas pares. A divisa americana apagou perdas acumuladas no início da semana, quando dados de inflação nos EUA mais fracos que o esperado haviam reduzido as expectativas de aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Entretanto, riscos domésticos têm ganhado destaque. Em relatório recente, o banco Société Générale informou ter encerrado posições compradas em real contra o peso chileno e o euro. A instituição citou preocupações com questões políticas e fiscais no Brasil, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais.

O banco rebaixou sua recomendação para o câmbio brasileiro para neutra, apontando para a possibilidade de uma política fiscal mais frouxa antes das eleições e um mercado que pode estar subestimando uma vitória do atual presidente. Além disso, a expectativa de mais um corte na taxa Selic na próxima reunião do Copom, em 5 de agosto, tende a reduzir a atratividade do real para operações de *carry trade*.

O Société Générale também pondera que um aumento do risco político no Brasil poderia levar a uma revisão da perspectiva para o real para "ligeiramente pessimista".