Dólar sobe com temor de tarifas americanas sobre produtos brasileiros

Dólar reage com alta a audiências sobre tarifas dos EUA para produtos brasileiros. Mercado aguarda dados de inflação e decisão sobre impostos.

Dólar sobe com temor de tarifas americanas sobre produtos brasileiros

O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (6), registrando uma valorização de 0,27% e alcançando R$ 5,1819 perto das 9h. O movimento é impulsionado pela apreensão dos mercados com a possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

## Tarifaço americano sob escrutínio

A principal atenção do dia no cenário econômico brasileiro se volta para as audiências públicas de comércio internacional promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Estas sessões são cruciais para a investigação americana que avalia a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma gama de produtos exportados pelo Brasil. A medida, baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, pode impactar significativamente o fluxo de exportações.

Representantes de diversos setores da economia brasileira, incluindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estão entre os participantes. O objetivo é apresentar argumentos contrários à taxação, buscando demonstrar que a sobretaxa não apenas prejudicaria os exportadores brasileiros, mas também afetaria empresas, consumidores e as cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos. Setores como café, arroz, açúcar, etanol, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual terão suas pautas defendidas.

## Expectativas econômicas e cenário global

Além da questão tarifária, a semana reserva outros eventos de relevância. A ata da última reunião de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed), banco central americano, é aguardada com expectativa. Comentários sobre a política de juros sob a nova gestão podem gerar volatilidade nos mercados globais. No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, a ser divulgado na sexta-feira (10), é outro ponto de atenção. A expectativa é de uma desaceleração, influenciada principalmente pela queda nos preços dos alimentos.

No cenário internacional, os mercados asiáticos apresentaram um desempenho misto. Investidores mantêm cautela em relação aos retornos de empresas de tecnologia, especialmente em investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Índices na China, Japão, Coreia do Sul e Hong Kong refletiram essa hesitação, com variações pontuais.