Dólar fecha a R$ 5,08 com tensões globais e tarifas dos EUA
Dólar fecha a R$ 5,08 com alta de 0,65% impulsionado por tensões no Oriente Médio e tarifas dos EUA. Ibovespa cai 0,46%. Mercado acompanha conflitos e decisões comerciais globais.

O dólar comercial encerrou a quinta-feira (23) cotado a R$ 5,0839, registrando uma alta de 0,65%. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, sofreu uma desvalorização de 0,46%, fechando o pregão aos 176.724 pontos. Essa movimentação do mercado foi influenciada por uma combinação de fatores internacionais e decisões comerciais.
## Pressões Internacionais e Comerciais
O agravamento do conflito no Oriente Médio foi um dos principais impulsionadores da alta do dólar. A escalada de tensões elevou o preço do barril de petróleo Brent, que se aproximou de US$ 100, devido a receios de interrupções no fornecimento global, especialmente com a redução do tráfego no Estreito de Ormuz. Adicionalmente, a entrada em vigor de uma tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também pesou sobre o mercado. Há ainda a expectativa de uma nova taxa, entre 10% e 12,5%, que pode afetar cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
## Desempenho Acumulado e Perspectivas
No acumulado do ano, o dólar registra uma queda de 7,38%, enquanto o Ibovespa apresenta uma valorização de 9,53%. No entanto, a semana viu o dólar cair 0,53%, com uma desvalorização mensal de 1,53%. O Ibovespa, por outro lado, acumulou alta de 1,59% na semana e 2,59% no mês.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas desenvolvidas, apresentava alta de 0,30% próximo das 17h10. Moedas de mercados emergentes, como o rand sul-africano e os pesos mexicano e chileno, também estiveram entre as mais pressionadas. Analistas do Wells Fargo alertam para a possibilidade de uma desvalorização mais prolongada do real, citando a complacência dos investidores com estratégias de carry trade e potenciais mudanças na política monetária dos EUA. Sazonalmente, agosto e setembro são considerados meses desfavoráveis para a moeda brasileira, com projeções indicando um dólar a R$ 5,42 nos próximos meses.
## Contexto e Repercussões
A imposição das tarifas americanas ocorre após investigações que apontam práticas comerciais que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, alegações contestadas pelo governo brasileiro. A justificativa para a potencial nova taxa envolve a não contenção do comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. O governo brasileiro segue avaliando a melhor forma de reagir às taxações, enquanto o conflito no Oriente Médio continua a gerar incertezas e a pressionar os preços do petróleo, impactando o cenário econômico global.