Dólar estável e Bolsa em queda com tensão global e petróleo volátil
Dólar fecha estável a R$ 5,08 e Ibovespa cai 1,52% com tensões globais e petróleo volátil. Brent recua para US$ 96,78 após superar US$ 100.

O mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (24) sob forte influência da cautela de investidores, motivada pela imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos a cerca de 60 parceiros, incluindo o Brasil, e pela evolução do conflito no Oriente Médio. O dólar comercial operou com leve variação, fechando cotado a R$ 5,081, com recuo de 0,06%, acumulando uma queda de 0,58% na semana. A moeda oscilou entre R$ 5,09 na abertura e R$ 5,04 durante o dia, mas reduziu as perdas no período da tarde.
O cenário internacional foi o principal motor da movimentação cambial. A expectativa de uma possível retomada nas negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão com apoio da China, trouxe algum alívio, mas as tarifas americanas mantiveram o tom de incerteza. Apesar disso, o real apresentou um desempenho relativamente melhor que outras moedas emergentes na semana, beneficiado pela posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e pelo diferencial de juros.
## Bolsa e Petróleo em Correção
Na Bolsa de Valores, o Ibovespa registrou queda de 1,52%, terminando o dia aos 174.041 pontos, na mínima da sessão. Contudo, o índice acumulou uma leve alta semanal de 0,19%. A desvalorização do petróleo Brent, referência para a Petrobras, que fechou em queda de 3,88% a US$ 96,78 por barril, impactou negativamente as ações de empresas do setor de energia. Papéis de mineradoras também recuaram, seguindo a tendência de queda do minério de ferro, e os grandes bancos foram pressionados pela menor entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes.
O petróleo devolveu parte dos ganhos recentes após a notícia sobre a articulação diplomática para aproximar EUA e Irã. O barril do Brent chegou a superar os US$ 100 na véspera, mas encerrou a sexta-feira em US$ 96,78. O WTI, referência americana, também recuou 3,12%, a US$ 89,31. Apesar da correção, o mercado segue atento aos riscos para a oferta global, como os confrontos contínuos entre EUA e Irã, a redução do tráfego no Estreito de Ormuz e os ataques no Mar Vermelho.
Especialistas apontam que o mercado de petróleo pode estar voltando a focar em fundamentos econômicos, como o aumento gradual da produção da Opep+ e a oferta em países como EUA, Brasil e Canadá, além de uma perspectiva de crescimento econômico global mais moderado, que afeta a demanda. Para o Brasil, um petróleo em patamar mais equilibrado pode ser positivo, preservando a rentabilidade do setor de óleo e gás sem gerar pressão inflacionária significativa nos combustíveis, embora a volatilidade deva persistir no curto prazo.