Dólar e Bolsa reagem a tarifas dos EUA e tensão global

Dólar sobe para perto de R$ 5,10 e Ibovespa cai 1,24% com tarifas dos EUA e tensão global. Mercados reagem a incertezas econômicas internas e externas.

Dólar e Bolsa reagem a tarifas dos EUA e tensão global

Os mercados financeiros brasileiros encerraram a quinta-feira (16) sob forte cautela, com o dólar registrando alta e se aproximando da marca de R$ 5,10, enquanto a bolsa de valores apresentou queda. A valorização da moeda americana foi impulsionada tanto por fatores internos, como a confirmação de tarifas sobre exportações brasileiras pelos Estados Unidos, quanto por um cenário externo de aversão ao risco.

## Repercussões do Tarifaço Americano

O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,098, com uma alta de 0,4%. Embora tenha atingido R$ 5,11 em seu pico, a moeda desacelerou no final da sessão. Analistas apontam que a medida americana, que impõe uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, aumentou a cautela em relação aos efeitos sobre segmentos específicos da economia e o fluxo cambial, apesar de ter havido uma lista mais ampla de exceções do que o esperado. Investidores repercutiram a confirmação dessas tarifas, ponderando os impactos da potencial retaliação por meio da Lei da Reciprocidade.

## Bolsa em Queda e Juros Mistos

A bolsa brasileira, representada pelo Ibovespa, acompanhou o movimento negativo observado em Wall Street e recuou 1,24%, fechando aos 173.825,27 pontos. A queda foi influenciada pelas incertezas geradas pelo "tarifaço" americano e pela piora do ambiente internacional. Ações de peso, como as da Petrobras e de mineradoras, contribuíram para o recuo, seguindo a desvalorização do petróleo e do minério de ferro, respectivamente. Os juros futuros apresentaram um comportamento misto: os prazos mais curtos operaram em baixa, enquanto os mais longos registraram alta. Essa dinâmica reflete, por um lado, dados de inflação que sinalizam uma possível queda da Selic no curto prazo e, por outro, preocupações com o período eleitoral e a trajetória da dívida pública, especialmente em relação a uma possível continuação de políticas fiscais sob o governo Lula 4. Um leilão de títulos pré-fixados em volume maior que o esperado também contribuiu para a alta nos juros de médio e longo prazo.

## Cenário Global e Commodities

No cenário internacional, o dia foi marcado pelo retorno do receio em relação ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que manteve os preços do petróleo praticamente estáveis, mas gerou preocupações sobre o impacto na inflação. O petróleo Brent fechou aos US$ 84,23, com recuo de 0,85%, e o WTI aos US$ 78,95, com queda de 0,82%. As tensões no Oriente Médio, com ameaças de ataques a instalações petrolíferas e a possibilidade de interrupções nas rotas marítimas estratégicas, continuam adicionando um prêmio de risco geopolítico aos preços da commodity. Além disso, pressões sobre as "big techs" e a desconfiança sobre os resultados de empresas de inteligência artificial também contribuíram para o ambiente de aversão ao risco global, favorecendo o fortalecimento do dólar em diversos países.