Dívida do Brasil se aproxima de patamar pandêmico, alerta economista

Dívida Bruta do Governo Geral do Brasil atinge 81,1% do PIB, maior patamar em cinco anos e similar ao da pandemia. Economista alerta para trajetória preocupante e necessidade de reformas.

Dívida do Brasil se aproxima de patamar pandêmico, alerta economista

O Brasil está em rota de colisão com um dos piores cenários fiscais dos últimos anos, com a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingindo 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Este percentual, equivalente a R$ 10,6 trilhões, representa o maior nível registrado em cinco anos e se equipara aos patamares observados durante o auge da pandemia de Covid-19.

## Trajetória Preocupante da Dívida

Arnaldo Lima, economista da Polo Capital, destaca que o problema central não reside apenas no valor absoluto da dívida, mas em sua trajetória ascendente. Ao considerar a métrica utilizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que engloba compromissadas e outros fatores, a dívida brasileira já alcança 94,3% do PIB. A projeção é que este número chegue a 96% do PIB até o fim do ano corrente.

Em um comparativo internacional, o endividamento brasileiro se destaca negativamente. Enquanto a média dos países emergentes viu sua dívida avançar de 64% para 77% do PIB, o Brasil caminha para patamares consideravelmente mais elevados. Essa situação gera uma crise de credibilidade que se manifesta na alta taxa de juros dos títulos públicos, impactando a economia de forma generalizada.

## Crescimento Econômico Insuficiente

Embora o crescimento econômico seja um fator crucial para a estabilização da relação dívida/PIB, Lima aponta que ele, por si só, é insuficiente. Há um descompasso entre as políticas monetária e fiscal, agravado por uma década de descumprimento de metas fiscais e de inflação. O economista defende a transição de um modelo de ajuste fiscal focado em despesas discricionárias para uma reforma fiscal mais profunda, com foco na contenção do crescimento das despesas obrigatórias.

Programas sociais, que representam 70% das despesas orçamentárias, precisam de aperfeiçoamento contínuo. Lima sugere a revisão da regra de valorização do salário mínimo, que tem crescido acima da inflação, e a desvinculação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo. "Toda vez que a gente reduzir o crescimento da despesa obrigatória, deveria se abrir um pouco de espaço também para os ministérios sociais aprimorarem as suas políticas", afirmou.

## Legado Fiscal e Desafios Futuros

Para o próximo ciclo político, Arnaldo Lima alerta para a necessidade de aprovar medidas estruturais no início de um mandato para garantir uma trajetória de juros reais mais saudável. Ele ressalta a importância de fortalecer o pacto intergeracional, evitando comprometer o futuro de crianças e netos com o aumento da dívida e a inflação de longo prazo.

O Brasil enfrenta ainda o desafio de envelhecer em um ritmo mais acelerado do que sua capacidade de enriquecimento. Isso torna ainda mais urgente o aumento da produtividade e da taxa de investimento, que atualmente se encontra em 16%, quando o ideal seria atingir 25%.