Dinheiro é principal causa de estresse no trabalho, aponta pesquisa

Pesquisa revela que preocupações financeiras são o principal fator de estresse no trabalho para brasileiros, superando a saúde mental e física. Profissionais de RH e executivos também sentem o impacto.

Dinheiro é principal causa de estresse no trabalho, aponta pesquisa

A preocupação com as finanças e as contas do fim do mês emergiu como o principal fator de desgaste para profissionais brasileiros, superando até mesmo questões de saúde mental e física. Uma pesquisa inédita realizada pela HIT Terapias Holísticas, em parceria com o iFood Benefícios, com 427 profissionais de RH, lideranças e executivos, revelou que a dimensão financeira obteve a menor pontuação entre os 11 pilares avaliados, com média de 5,8. Em comparação, saúde mental e emocional registrou 6,2 e saúde física, 6,7. Nenhum dos aspectos analisados atingiu o nível considerado saudável pela metodologia do estudo.

## Finanças Afetam Todos os Níveis

O resultado desafia a tendência corporativa recente de focar no bem-estar dos colaboradores. Surpreendentemente, mesmo entre os 127 C-levels e presidentes ouvidos, as finanças figuraram entre as dimensões mais críticas, indicando que o problema transcende a base hierárquica das empresas. Paty Palhares, CEO da HIT Terapias Holísticas, atribui essa realidade ao cenário econômico do país, marcado pela inflação e pela insegurança financeira generalizada. Ela destaca que a percepção do alto custo de vida transformou a saúde financeira de um assunto estritamente pessoal para um fator que impacta diretamente o ambiente de trabalho, o desempenho e a produtividade.

A preocupação constante com o dinheiro impõe uma carga cognitiva diária, que, segundo Palhares, compromete a concentração, a tomada de decisões e o bem-estar geral durante o expediente. Ela defende a inclusão da saúde financeira em programas de benefícios corporativos, argumentando que as estratégias de bem-estar devem ser abrangentes e integradas, reconhecendo a forte ligação entre saúde financeira e mental. "Não é só falar sobre saúde mental, porque a saúde financeira está completamente ligada à saúde mental", afirma.

## Desafio Estrutural, Não Individual

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é que nem os próprios profissionais de RH e lideranças, responsáveis por formular políticas de bem-estar, atingiram um nível saudável em nenhuma das 11 dimensões avaliadas. Palhares considera este dado crucial, pois aponta para um problema estrutural dentro das organizações. Quando aqueles que lideram as agendas de bem-estar não percebem equilíbrio em suas próprias vidas, o desafio se torna coletivo e exige mudanças sistêmicas.

O levantamento coincide com a atualização da NR-1, que, desde maio de 2026, obriga as empresas a identificar e gerenciar riscos psicossociais em seus ambientes de trabalho. Essa mudança regulatória eleva o cuidado com a saúde mental de um diferencial a uma exigência legal, especialmente diante do aumento de afastamentos por transtornos mentais no Brasil. No entanto, a norma por si só não é suficiente, sendo necessário ir além do discurso corporativo e abordar as reais percepções dos trabalhadores.

## Bem-Estar Contínuo e Integrado

Para Paty Palhares, a obrigatoriedade da NR-1 redefine a questão do bem-estar nas empresas, passando de "devemos cuidar?" para "como cuidar?". Ela enfatiza que o bem-estar deve ser tratado como uma estratégia de gestão contínua, e não como ações pontuais ou sazonais, como as campanhas de Setembro Amarelo. A mudança cultural e a adoção de planos de ação permanentes são essenciais para promover um impacto positivo e duradouro, integrando diversas dimensões da vida do trabalhador, incluindo a educação financeira e o apoio ao endividamento.