Diesel russo suspenso: Brasil busca EUA e preços devem subir

Suspensão das exportações de diesel russo força Brasil a importar dos EUA, elevando custos. Petrobras aumenta participação no mercado doméstico. Risco de desabastecimento é baixo, mas preços devem subir.

Diesel russo suspenso: Brasil busca EUA e preços devem subir

A Rússia anunciou a suspensão de suas exportações de diesel até o final de julho, uma medida que impactará diretamente os importadores brasileiros. Com a interrupção do fornecimento russo, que até então oferecia preços competitivos para contornar sanções internacionais, o Brasil precisará aumentar sua dependência dos Estados Unidos para suprir a demanda interna. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estima que a participação do diesel americano nas importações brasileiras pode saltar de aproximadamente 30% para quase 70%.

## Pressão nos Preços e Aumento da Participação da Petrobras

A necessidade de importar diesel mais caro dos EUA, cujos preços oscilam com o mercado internacional de petróleo – que já mostra sinais de alta após o fim de uma trégua no Irã –, tende a pressionar o valor final do combustível no Brasil. Paralelamente, a Petrobras deve expandir sua atuação no abastecimento doméstico. Atualmente, a estatal responde por cerca de 70% da demanda nacional com sua produção, mas deverá cobrir aproximadamente um terço das importações de diesel em julho, principalmente dos EUA.

Segundo o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, a expectativa é que o diesel russo represente menos de 20% das importações brasileiras já em julho. "O preço do diesel da Rússia é menor que o do Golfo dos Estados Unidos. Então, com essa descontinuidade da importação russa, vamos pagar mais caro pelo diesel importado. Isso vai se refletir no preço do produto, sem dúvida", afirmou Araújo, que, no entanto, avalia que não há risco de desabastecimento no curto prazo.

## Defasagem e Estratégia da Estatal

Dados da Abicom indicam que o diesel vendido pela Petrobras está cerca de 50% abaixo da paridade de importação. A estatal, que não importa diesel russo, tem reforçado suas compras no mercado internacional, especialmente dos EUA, aproveitando a recente queda nos preços do petróleo. A Petrobras informou que suas estratégias de importação são definidas por um planejamento integrado e que a suspensão das exportações russas, por si só, não altera esse planejamento.

Especialistas como Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), concordam que o principal impacto será nos preços, e não no abastecimento. A mudança de rota nas importações, imposta pela decisão russa, sinaliza um cenário de custos mais elevados para o consumidor brasileiro, num momento em que a volatilidade no mercado internacional de energia se intensifica.