Deflação do IGP-10 em Julho não deve se sustentar, alerta FGV

O IGP-10 caiu 1,13% em julho, mas a FGV alerta que deflação não deve durar devido à guerra no Oriente Médio, tarifas e El Niño.

Deflação do IGP-10 em Julho não deve se sustentar, alerta FGV

## IGP-10 Aprofunda Queda em Julho

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou uma queda de 1,13% em julho, aprofundando o recuo observado em junho, quando o índice havia caído 0,30%. Este foi o menor patamar desde julho de 2025, quando a taxa foi de -1,65%. A Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pelo indicador, divulgou os dados nesta sexta-feira. Apesar da deflação recente, a perspectiva é de que essa tendência não se mantenha nos próximos meses.

## Fatores de Risco para a Inflação

Matheus Dias, economista responsável pelo IGP-10, aponta que o cenário futuro apresenta diversos elementos que podem pressionar os preços para cima. O acirramento da guerra no Oriente Médio, as consequências do "tarifaço" sobre a atividade produtiva e os efeitos do fenômeno climático "El Niño" sobre as lavouras são os principais pontos de atenção. Esses fatores tendem a reduzir a oferta de produtos e aumentar a volatilidade nos preços.

## Impacto dos Preços no Atacado

O segmento de preços no atacado, que representa 60% do cálculo do IGP-10, foi o principal motor da queda em julho. O Índice de Preços ao Produtor Amplo-10 (IPA-10) recuou 1,76%, influenciado pela diminuição nos preços de commodities como minério de ferro (-5,02%), bovinos (-2,18%) e óleo diesel (-6,69%). Conflitos no Oriente Médio já vinham causando instabilidade nos preços de commodities, especialmente petróleo e seus derivados, afetando diretamente combustíveis. O IGP-10 também se beneficiou de desacelerações nos índices de preços ao consumidor (IPC-10) e no custo da construção (INCC-10). No entanto, a expectativa é de que a queda nas commodities seja temporária.

## Perspectivas Futuras

O economista da FGV avalia que o agravamento do conflito no Oriente Médio pode elevar novamente o preço do petróleo e seus derivados, impactando o IPA-10. Adicionalmente, a imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre alguns produtos brasileiros importados adiciona incerteza aos preços de insumos. A projeção de um "El Niño" mais intenso também gera preocupação. O fenômeno climático pode afetar a produtividade das safras, levando agricultores a reduzirem a área plantada, o que, por sua vez, impacta a expectativa de oferta e eleva os preços, mesmo antes da colheita. Diante desses fatores, a FGV estima que a deflação do IGP-10 não deve persistir nos próximos relatórios.