Couro Brasileiro é Isento de Tarifa Adicional nos EUA

Setor de couro brasileiro é isento de tarifa adicional de 25% nos EUA por ser considerado insumo estratégico. Exportações batem recorde de volume, mas receita cai.

Couro Brasileiro é Isento de Tarifa Adicional nos EUA

## Isenção de Tarifa nos EUA

O setor de couro brasileiro obteve uma vitória comercial significativa, ficando isento da sobretaxa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma lista de produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a exclusão de determinados tipos de couro produzidos no Brasil da nova tarifa. Esses couros são considerados insumos estratégicos fundamentais para a indústria norte-americana, o que levou à sua inclusão nas exceções da medida.

A decisão abrange couros classificados na Tabela Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos (HTS), incluindo meios de couro com área inferior a 2,6 metros quadrados nas categorias wet blue, crust, acabado e couro com pelo. Segundo o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), essa exclusão foi o resultado de um esforço conjunto. A entidade, juntamente com empresas do setor e representantes da cadeia produtiva, participou de consultas públicas e realizou articulações com o governo brasileiro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidades parceiras e empresas americanas.

## Justificativa e Impacto na Indústria

A justificativa apresentada pelo USTR para a isenção reside na importância crucial do couro brasileiro como matéria-prima para diversos segmentos industriais dos Estados Unidos. Órgãos americanos apontam que esses materiais são insumos essenciais para as indústrias automotiva, moveleira e calçadista, que dependem do fornecimento brasileiro. A decisão considera o volume disponível e o alto padrão de qualidade do couro nacional, além da ausência de fornecedores alternativos capazes de suprir a demanda existente.

## Outras Questões e Exportações

O setor de couro brasileiro também está atento a uma nova frente de investigação conduzida pelo USTR relacionada a possíveis práticas de trabalho forçado. Caso irregularidades sejam confirmadas, uma nova decisão poderá impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de mais de 60 países, incluindo o Brasil. Paralelamente, a União Europeia propôs retirar o couro bovino brasileiro do escopo do Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A proposta, apresentada em maio e formalizada em julho, exclui peles e couros bovinos brutos, curtidos e acabados do Anexo I da regulamentação, argumentando dificuldades dos curtumes europeus em atender às exigências de rastreabilidade. As exportações brasileiras de couro alcançaram um recorde histórico até maio de 2026, com 274,8 mil toneladas embarcadas. Contudo, a receita total do setor no período somou US$ 450,8 milhões, apresentando uma queda de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025. A redução na receita foi atribuída a uma mudança no perfil dos produtos exportados, com maior participação de categorias de couro com menor valor agregado, apesar do aumento no volume.

A cadeia produtiva do couro envolve diversas etapas, desde o couro salgado até o couro acabado, que possui o maior valor agregado e é utilizado na fabricação de calçados, móveis e artigos automotivos.