Compras Internacionais Disparam Após Fim da "Taxa das Blusinhas"
Após o fim da "taxa das blusinhas", compras em e-commerces internacionais disparam no Brasil em junho, com alta de 116% em relação ao ano anterior e 40% sobre maio. O cenário aumenta a pressão sobre o varejo nacional.

O fim da "taxa das blusinhas", implementada em agosto de 2024 com a proposta de tributar em 20% as importações de até US$ 50, resultou em um expressivo aumento nas compras internacionais para o Brasil. Em junho deste ano, o primeiro mês completo sob as novas regras, o volume de encomendas internacionais mais que dobrou, registrando um crescimento de 116% em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação com o mês anterior, maio, o aumento foi de 40%. Os dados são de um relatório do BTG Pactual, que analisou números divulgados pela Receita Federal através do programa Remessa Conforme.
## Crescimento em Volume e Valor
O impacto do fim da tributação sobre compras de baixo valor se reflete não apenas no número de remessas, mas também nos valores movimentados. Em junho, as importações internacionais somaram R$ 2,6 bilhões, um salto de 101% em relação ao ano anterior. Comparado a abril de 2024, último mês completo com a taxa em vigor, o avanço foi de 74%. O movimento positivo foi celebrado por marketplaces internacionais, que veem na nova estrutura tributária uma forma de democratizar o acesso a produtos globais.
O AliExpress, por exemplo, destacou que a atual política "beneficia diretamente as classes de menor renda e ampliando seu poder de compra", demonstrando otimismo para os próximos meses. No entanto, a Shein enfrentou reclamações de clientes nas redes sociais sobre possíveis atrasos nas entregas. Alguns usuários relataram notificações de "insuficiência de recursos logísticos", atribuindo a demora ao provável aumento do volume de pedidos após a isenção fiscal.
## Desafios para o Varejo Nacional
Especialistas apontam que a redução da tributação é um fator chave para o crescimento das importações, mas não o único. O avanço de plataformas estrangeiras, com maior variedade de produtos, prazos de entrega reduzidos e investimentos em tecnologia como inteligência artificial, também contribui significativamente. A consultora de varejo Ana Paula Tozzi ressalta que essa cenário aumenta a pressão sobre o varejo brasileiro, que opera com custos logísticos e carga tributária mais elevados.
"A assimetria competitiva" é o principal desafio, segundo Tozzi. O varejo nacional enfrenta desvantagens devido a uma legislação trabalhista complexa e obrigações regulatórias que concorrentes internacionais não enfrentam na mesma intensidade. Contudo, analistas do BTG Pactual observam que as empresas brasileiras estão mais preparadas para competir do que no passado. Muitas aprimoraram suas capacidades logísticas, expandiram operações de comércio eletrônico e tornaram suas propostas de valor mais resilientes à concorrência internacional, buscando maior eficiência e integração entre canais físicos e digitais.