Coca-Cola, Tesla e eBay defendem produtos brasileiros nos EUA contra tarifas
Coca-Cola, Tesla, eBay e Nestlé pedem aos EUA isenção de tarifas sobre produtos brasileiros. Empresas alegam que taxação prejudicaria cadeias de suprimentos, custos e consumidores americanos, além de impactar investimentos e empregos.

Grandes empresas americanas e europeias, incluindo a gigante de bebidas Coca-Cola, a montadora de carros elétricos Tesla e o portal de comércio eletrônico eBay, além da Nestlé, manifestaram-se contra a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os pedidos foram formalizados ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em 1º de julho, como parte de uma consulta pública sobre uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A proposta de sobretaxa, que poderia atingir milhares de produtos brasileiros, foi anunciada pelo governo de Donald Trump como resposta a práticas comerciais consideradas "injustas" pelo Brasil, incluindo questões sobre o Pix, decisões do STF, acordos comerciais e regras para o etanol.
As empresas argumentam que a aplicação dessas tarifas causaria prejuízos significativos para a economia dos próprios Estados Unidos, afetando cadeias de suprimentos, custos de produção e consumidores. A Coca-Cola solicitou a manutenção da isenção para insumos de laranja e a inclusão de limões na lista de exceções, essenciais para a fabricação de suas bebidas nos EUA e sem substitutos domésticos rápidos. A empresa alertou que a tributação adicional poderia "provocar interrupções nas cadeias de suprimentos" e "elevar os custos de produção no país". Segundo dados da plataforma ComexStat, os EUA são o maior importador de suco de laranja congelado brasileiro, com exportações em 2026 que já somam R$ 139 bilhões, e o 15º destino de limões brasileiros.
A Tesla, por sua vez, destacou que a política comercial deve considerar as limitações das cadeias globais de suprimentos. A montadora, que investiu bilhões em sua cadeia de fornecimento nos EUA, ressaltou que "certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos na escala e com a qualidade necessárias". A empresa citou o uso de peças e componentes adquiridos no Brasil e pediu "medidas cuidadosamente calibradas" que levem em conta essa realidade para não comprometer a competitividade de seus veículos.
O eBay, um dos maiores símbolos do mercado de segunda mão americano, pediu isenção para bens usados e seminovos, argumentando que a taxação penalizaria consumidores de baixa renda, pequenos vendedores e microempresas. A plataforma sustentou que a medida criaria "custos fixos de importação" que poderiam inviabilizar operações, levar consumidores a optar por produtos novos e mais baratos, e não pressionaria os fabricantes brasileiros, que já receberam pelas vendas anteriores.
Outras companhias também apresentaram manifestações. A Nestlé solicitou a inclusão de café solúvel sem sabor e colágeno bovino na lista de insumos isentos, pois esses produtos não são fabricados em quantidade suficiente nos EUA. A Bauducco, com fábrica na Flórida, alertou que as novas tarifas podem atrasar investimentos, reduzir empregos e aumentar custos operacionais em sua unidade americana, pois a arrecadação com importados financia a expansão local.
As contribuições fazem parte de uma consulta pública onde o USTR analisará os comentários antes de tomar a decisão final sobre quais produtos brasileiros estarão sujeitos à sobretaxa de 25% e quais poderão receber isenções. A investigação, que motivou a proposta de tarifas, baseia-se em críticas a práticas comerciais brasileiras, como o funcionamento do Pix, decisões do STF sobre empresas de tecnologia americanas, acordos comerciais e regras para o etanol.