CNI e Governo Buscam Solução para Tarifaço Americano
CNI propõe nova missão industrial para combater tarifas dos EUA. ApexBrasil lança plano de diversificação de mercados com R$ 130 milhões.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou ao governo federal uma proposta para mitigar os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A sugestão inclui a criação de uma sétima missão transitória para a política industrial "Nova Indústria Brasil", lançada em 2024 e com vigência até 2033, que já conta com cerca de R$ 750 bilhões em linhas de crédito.
A iniciativa, apresentada pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Márcio Elias Rosa, propõe a formação de um grupo de trabalho. Este grupo, composto por representantes do governo, CNI, federações estaduais, associações setoriais e sindicatos, deverá elaborar medidas de apoio aos setores industriais mais afetados.
Segundo a CNI, a sobretaxa de 25% dos EUA atingirá 26,2% das exportações brasileiras para o país, o que representa aproximadamente US$ 11 bilhões em vendas. Essa projeção difere da estimativa do governo federal, que aponta um impacto de US$ 7,4 bilhões, afetando 18% das vendas.
Ricardo Alban destacou que a nova missão não substituiria as negociações diplomáticas em curso, mas serviria como um mecanismo emergencial para fortalecer a competitividade da indústria nacional enquanto se busca uma solução para o impasse comercial. A proposta visa fortalecer a indústria brasileira frente às novas barreiras tarifárias americanas.
Paralelamente, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está desenvolvendo um programa de diversificação de mercados. Com investimento previsto de R$ 130 milhões e parceria com o setor privado, o plano será lançado no início de agosto. O foco será nos setores mais atingidos pelas tarifas dos EUA e que também se beneficiarão do acordo entre Mercosul e União Europeia.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que o plano geral abrangerá todos os setores, mas com atenção especial àqueles impactados simultaneamente pelas tarifas americanas e pela redução de tarifas com o bloco europeu. A Europa é apontada como uma das prioridades estratégicas para a abertura de mercados, aproveitando as oportunidades criadas pelo acordo Mercosul-UE.