China Retoma Compras de Soja dos EUA e Abre Brecha para Chips de IA
China retoma compras recordes de soja dos EUA e pode autorizar venda limitada de chips de IA da Nvidia, sinalizando flexibilidade comercial e tecnológica entre as potências.

A China demonstrou uma retomada significativa nas importações de soja dos Estados Unidos, anunciando a maior compra em sete meses, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Exportadores privados fecharam a venda de 472 mil toneladas da commodity, divididas entre as safras 2025/2026 e 2026/2027. Esta transação representa o maior volume negociado desde novembro do ano passado e possui um peso político considerável, sendo parte de concessões acordadas entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump em 2025, após um período de guerra tarifária.
As negociações de soja entre EUA e China foram historicamente voláteis. Antes do encontro entre os líderes em outubro de 2025, a China havia suspendido suas encomendas, o que resultou em uma queda drástica no comércio bilateral, de US$ 12,6 bilhões em 2024 para US$ 3 bilhões em 2025. A retomada das compras chinesas foi um ponto crucial para os produtores rurais americanos, que representaram uma base eleitoral importante para Trump. Em fevereiro, o presidente americano chegou a anunciar que a China pretendia elevar suas compras para 20 milhões de toneladas na temporada atual e 25 milhões no ciclo seguinte, embora Pequim nunca tenha confirmado oficialmente esses números.
Paralelamente a essas movimentações no agronegócio, a China também sinaliza uma flexibilização em outro setor estratégico: a tecnologia. Relatos indicam que o governo chinês planeja abrir uma exceção para a compra de chips de inteligência artificial (IA) da americana Nvidia, especificamente o modelo H200. Essa permissão seria para lotes limitados, visando atender à crescente demanda por processadores para modelos de IA. Essa decisão surge em um contexto de tensão geopolítica e de busca chinesa por autossuficiência tecnológica, com empresas como a DeepSeek desenvolvendo seus próprios semicondutores.
Embora os Estados Unidos sejam um competidor direto do Brasil no mercado de soja, a retomada das importações chinesas dos EUA não parece ter prejudicado as exportações brasileiras. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) indicam que a venda de soja do Brasil para a China manteve-se estável no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, demonstrando a capacidade do mercado chinês de absorver produtos de múltiplos fornecedores.
As vendas de soja dos EUA para a China somam 6,2 milhões de toneladas desde o acordo de 2025. O valor político dessas transações se manifesta na busca por estabilidade nas relações comerciais e no alívio para setores produtivos que foram impactados pelas tarifas. A possível liberação de chips de IA da Nvidia para a China, por sua vez, sugere uma estratégia pragmática de Pequim em garantir acesso a tecnologias essenciais para o desenvolvimento de sua indústria de inteligência artificial, ao mesmo tempo em que busca avançar em sua própria produção de semicondutores avançados.