China mira US$ 8,8 tri em varejo até 2030 com foco em serviços

China define meta de US$ 8,8 trilhões em vendas de varejo até 2030, focando em serviços e bens duráveis para impulsionar a economia, com estratégias para aumentar o poder de compra e a confiança do consumidor.

China mira US$ 8,8 tri em varejo até 2030 com foco em serviços

O governo chinês aprovou um plano estratégico com o objetivo de expandir o consumo interno, visando alcançar a marca de 60 trilhões de yuans (equivalente a aproximadamente US$ 8,8 trilhões) em vendas anuais no varejo até o ano de 2030. A meta, validada pelo Conselho de Estado, coloca o crescimento do consumo como prioridade econômica central para os governos locais.

## Impulso no Setor de Serviços

A iniciativa reflete uma mudança de foco de Pequim, que busca cada vez mais utilizar o consumo de serviços como motor de crescimento, em um cenário onde a demanda por bens físicos tem se mostrado menos robusta. Dados recentes confirmam essa tendência: nos primeiros cinco meses de 2026, as vendas no varejo de serviços apresentaram um crescimento de 5,4% em comparação com o ano anterior, superando o desempenho de 2025. Em contrapartida, o avanço nas vendas de bens desacelerou para 1,2%, ampliando a diferença entre os dois segmentos para 4,2 pontos percentuais.

## Estratégias para Bens e Serviços

O plano detalha prioridades específicas, incluindo a promoção de serviços essenciais como alimentação, hospedagem, cuidados com idosos e infantis, além de uma maior integração entre cultura, turismo e esporte. No segmento de bens, as autoridades planejam estimular a aquisição de itens duráveis de alto valor agregado, como automóveis e eletrodomésticos inteligentes. Paralelamente, haverá um esforço para aumentar a oferta de moradias acessíveis e para apoiar o desenvolvimento de marcas nacionais com potencial de expansão internacional.

## Novos Modelos e Poder de Compra

Diretrizes para o desenvolvimento de novos modelos de consumo foram apresentadas, englobando o consumo digital, verde, experiencial e a chamada economia de estreia, que valoriza lançamentos de produtos e novas experiências. Para sustentar esse avanço, o governo chinês se comprometeu a fortalecer o poder de compra das famílias, promovendo o pleno emprego, a criação de novas oportunidades de trabalho e a estabilidade do mercado laboral. Mecanismos aprimorados de fixação de salários, aumentos do salário mínimo e políticas de recompensa para trabalhadores qualificados e inovadores também fazem parte da estratégia.

## Confiança do Consumidor e Seguridade Social

Visando consolidar a confiança do consumidor, a China pretende reforçar sua rede de proteção social. Isso inclui o aumento de pensões básicas e subsídios para o seguro-saúde, além da expansão da cobertura para seguro-desemprego e acidentes de trabalho, contemplando trabalhadores flexíveis e migrantes. Especialistas destacam que a expansão do consumo é intrinsecamente ligada à segurança econômica da força de trabalho, demandando reformas na distribuição de renda para garantir uma participação mais justa dos trabalhadores nos lucros gerados pelo capital e pela tecnologia.