China Acelera Compra de Ouro em Meio a Queda de Preços e Yuan Forte
China acelera compra de ouro em junho, adicionando 15 toneladas às suas reservas. Movimento é impulsionado pela queda de preços e fortalecimento do yuan, contrastando com investidores institucionais.

O Banco Popular da China (PBoC) intensificou suas aquisições de ouro em junho, adicionando 15 toneladas às suas reservas. Este movimento marca o maior aumento mensal desde outubro de 2023 e estende uma sequência sem precedentes de 20 meses consecutivos de compras, superando o recorde anterior de 18 meses. A estratégia chinesa contrasta com a de investidores institucionais, que têm reduzido suas posições no metal precioso devido ao aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.
A aceleração nas compras chinesas, que já superam 40 toneladas em 2026, tem sido notada desde fevereiro, quando o ritmo era de cerca de uma tonelada por mês. Especialistas apontam que a queda nos preços internacionais do ouro, combinada com o fortalecimento do yuan frente ao dólar, tornou o metal ainda mais atraente para o banco central asiático. Embora o dólar tenha se valorizado em relação a outras moedas importantes, o yuan registrou uma valorização de quase 3%.
## Ouro Mais Acessível e Yuan Forte
No final de junho, o ouro à vista em Londres acumulava uma queda de 7% em dólares, mas essa desvalorização chegava a cerca de 10% quando convertida para yuan. Essa diferença torna a commodity significativamente mais barata para compradores chineses, incluindo o PBoC. Analistas como Kumiko Ishikawa, do Sony Financial Group, ressaltam que a compra de ouro como reserva de valor faz sentido em um cenário de fortalecimento da moeda chinesa, impulsionado pelo superávit comercial.
Além disso, a estratégia pode ser vista como uma medida de proteção contra potenciais confrontos geopolíticos com os Estados Unidos e a Europa, e também como um contraponto à desaceleração da própria economia chinesa. O preço internacional do ouro, que atingiu um pico histórico em janeiro, recuou consideravelmente até 30 de junho.
## Tendência Global e Motivações dos Bancos Centrais
Em maio, os bancos centrais globais, em termos líquidos, compraram 41 toneladas de ouro, sendo a Polônia a maior compradora, seguida pela China e pelo Uzbequistão. Rússia e Turquia, por outro lado, registraram vendas. A diversificação de reservas, a proteção contra a inflação e a busca por segurança geopolítica continuam sendo os principais motivadores para a acumulação de ouro por parte dos bancos centrais, especialmente em mercados emergentes.
Essa postura difere da dos investidores institucionais, que buscam ativos com maior rentabilidade em um ambiente de juros altos. Fundos de investimento e ETFs lastreados em ouro físico têm visto saídas de recursos. Para os bancos centrais, contudo, a queda nos preços representa uma oportunidade estratégica de aumentar suas reservas a custos mais baixos, com uma visão de longo prazo, diferente da especulação de curto prazo.