CEO da C&A defende qualidade e discute concorrência com e-commerce estrangeiro
CEO da C&A, Paulo Correa, defende a manutenção da qualidade dos produtos da empresa e discute a necessidade de isonomia tributária com plataformas de e-commerce estrangeiras.

## C&A Mantém Foco na Qualidade em Meio à Concorrência
O CEO da C&A, Paulo Correa, declarou que a estratégia da varejista para enfrentar a concorrência de empresas estrangeiras de moda, que ganham espaço no mercado brasileiro através do comércio eletrônico, não passa pela redução da qualidade de seus produtos. Em entrevista ao programa Capital Insights, Correa enfatizou que a companhia manterá seu padrão, mesmo diante de desafios impostos pela tributação e pela competição.
## Debate sobre Tributação e Isonomia Competitiva
Correa abordou a questão da chamada "taxa das blusinhas", referente à cobrança de imposto de importação sobre compras internacionais abaixo de US$ 50. Segundo o executivo, essa taxa buscava corrigir, em parte, a desigualdade tributária entre varejistas nacionais e os aplicativos de compras internacionais. Embora o tributo tenha sido zerado em maio deste ano, há expectativas de que ele retorne em 2027, possivelmente sob a forma da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com alíquotas ainda a serem definidas. O setor varejista, segundo o CEO, segue em diálogo com o governo na busca por condições mais equitativas, seja através de uma taxação equivalente para plataformas estrangeiras ou de isenções para as empresas brasileiras. "O ponto não é a existência da concorrência e sim as regras iguais para todos os players", ressaltou Correa, ponderando que as eleições presidenciais podem adiar a resolução do tema no curto prazo.
## Estratégias de Produção e Crédito ao Consumidor
Diante do cenário competitivo, a C&A aposta em um modelo de produção ágil, com coleções menores que são testadas no mercado e rapidamente escaladas caso a resposta em vendas seja positiva. A versatilidade das peças também é um ponto forte, alinhada ao momento econômico brasileiro. Correa explicou que o consumidor, com renda disponível comprometida devido aos juros altos, busca fazer compras mais estratégicas, transformando a aquisição de roupas em um "investimento". Para estimular o consumo, a empresa utiliza o C&A Pay, seu braço de crédito, que responde por quase 30% das vendas no varejo. O cartão de crédito próprio da rede confere à varejista maior autonomia nos financiamentos. Apesar de assumir um risco maior em comparação a bancos, a C&A adota uma postura conservadora na concessão de crédito, conhecendo melhor a capacidade de pagamento de seus clientes. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou uma redução de 4,3 pontos percentuais no crédito não performado. Estima-se que clientes que utilizam o C&A Pay gastem, anualmente, 50% a mais do que aqueles que não o utilizam.