CDI: Especialistas alertam sobre riscos e 'calotes' em investimentos

Especialistas questionam a segurança do CDI como investimento livre de risco, citando 'calotes' e volatilidade. Alertam para a necessidade de proteção contra inflação em objetivos de longo prazo.

CDI: Especialistas alertam sobre riscos e 'calotes' em investimentos

Especialistas em finanças levantam dúvidas sobre a confiabilidade do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) como um investimento totalmente isento de riscos no Brasil. Arthur Wichmann, CIO da XP, e Ruy Ribeiro, sócio fundador da Atlantiqis Consulting, apresentaram em artigo e em painel na Expert 2026 argumentos que desafiam a percepção comum de que o CDI é a solução universal para a segurança patrimonial.

## Revisão do Conceito de Risco

Segundo os economistas, a ideia de um ativo verdadeiramente livre de risco precisa ser reavaliada. Eles apontam que o CDI oferece uma proteção de rentabilidade de curto prazo, geralmente em torno de 45 dias, período máximo em que o Comitê de Política Monetária pode manter a taxa básica de juros. No entanto, a maioria dos investidores não possui um horizonte de investimento tão limitado.

Ribeiro enfatiza que o foco principal deveria ser a proteção de objetivos de longo prazo, como aposentadoria, aquisição de imóveis ou custeio da educação dos filhos. Para atingir essas metas, um ativo livre de risco seria aquele que garante a não frustração desses planos. O CDI, na visão deles, falha em cumprir esse papel.

## 'Calotes' e Volatilidade do CDI

Um dos pontos centrais levantados é que o CDI deixou de ser tão seguro quanto se acreditava, especialmente após a forte redução dos juros durante a pandemia. Ribeiro descreve esses momentos como "calotes", onde a expectativa de rentabilidade foi drasticamente comprometida pela queda abrupta da taxa de juros. Ele alerta que essa situação, de inflação alta combinada com juros baixos, pode ocorrer com maior frequência no Brasil.

Os especialistas comparam o risco do CDI com o de títulos de renda fixa como a NTN-B. Embora a NTN-B possa apresentar volatilidade no curto prazo, sua capacidade de proteger o poder de compra ao longo de anos é considerada superior à do CDI. A inflação é identificada como o principal risco para o retorno de qualquer portfólio de investimentos.

## Alternativas e Adaptação ao Perfil

Apesar das ressalvas, os economistas ressaltam que o CDI não deve ser completamente descartado. Ele pode ser adequado para investidores com objetivos de curto prazo ou que não necessitem de fluxo de caixa imediato. No entanto, para quem visa o longo prazo e tem compromissos financeiros futuros, a busca por ativos com proteção inflacionária real é fundamental.

Além da NTN-B, outros ativos como fundos imobiliários e ações de empresas ligadas à economia real são mencionados como alternativas. Estes podem apresentar riscos distintos, mas oferecem um potencial maior de proteção contra a desvalorização monetária, sendo considerados por alguns como "a solução" para investidores que compreendem e aceitam esses riscos adicionais.