Carros Chineses Dominam Europa Apesar de Tarifas da UE
Montadoras chinesas de veículos elétricos continuam a expandir sua participação no mercado europeu, mesmo com a imposição de tarifas pela UE. Estratégias de preços baixos, diversificação e produção local impulsionam o crescimento.

Apesar das tarifas impostas pela União Europeia, os veículos elétricos chineses continuam sua marcha avassaladora pelo mercado automotivo europeu. As sobretaxas, introduzidas em julho de 2024 pela Comissão Europeia para combater subsídios estatais considerados desleais, não foram suficientes para frear a ascensão das montadoras chinesas. Em vez disso, as empresas asiáticas têm intensificado sua presença através de estratégias de precificação agressiva, diversificação de portfólio e, crucialmente, expansão da produção dentro do próprio continente europeu.
## Barreiras Tarifárias e Respostas Estratégicas
As tarifas definitivas, que entraram em vigor em outubro de 2024 com validade de cinco anos, variam de acordo com a empresa. A SAIC e outras companhias não cooperantes enfrentam uma sobretaxa de 35,3%, somada à tarifa base de 10%. Geely, BYD e Tesla (Xangai) foram taxadas em 18,8%, 17% e 7,8%, respectivamente. Há ainda a possibilidade de extensão dessas tarifas a veículos híbridos plug-in (PHEVs), que até então estavam isentos.
No entanto, os números de registro de veículos de marcas chinesas na Europa Ocidental continuam a crescer. Em maio, as montadoras chinesas superaram as japonesas em participação de mercado, registrando um avanço de 6% nas vendas. No primeiro trimestre de 2026, foram comercializados 273.051 veículos de marcas chinesas na Europa, superando os 223.300 da Coreia do Sul pelo segundo trimestre consecutivo. A participação de mercado dos veículos chineses atingiu 8,7%, um aumento de 3,9 pontos percentuais em um ano. Especialistas preveem que as vendas possam chegar a 800 mil unidades na União Europeia ainda em 2026, com projeções de ultrapassar 1 milhão em 2027.
## Adaptação e Vantagem Competitiva
As fabricantes chinesas demonstraram agilidade ao adaptar suas estratégias. Muitas passaram a focar mais em veículos híbridos plug-in e modelos a combustão, que não estão sujeitos às mesmas tarifas dos elétricos puros. A BYD, por exemplo, viu seu modelo híbrido plug-in Seal U se tornar o mais vendido na Europa em 2025. A vantagem de preço continua sendo um fator decisivo, com modelos chineses oferecendo valores significativamente inferiores aos concorrentes europeus e asiáticos.
Além disso, os subsídios governamentais em alguns países europeus, como na Alemanha, que podem chegar a 6 mil euros por família, também impulsionam a demanda por veículos elétricos e híbridos, incluindo os de origem chinesa.
## Produção Local como Solução
Para contornar as barreiras tarifárias e estar mais próxima do consumidor europeu, as montadoras chinesas estão acelerando a construção de fábricas no continente. Empresas como GAC e Xpeng já produzem veículos sob contrato na Áustria, enquanto BYD e Leapmotor planejam expandir suas plantas na Hungria e Espanha. A SAIC tem planos de iniciar produção na Espanha em 2028, e a Geely pretende fabricar o Polestar 7 na Eslováquia. Essa estratégia de internalização da cadeia de valor não só dribla as tarifas, mas também pode fortalecer parcerias com empresas europeias e otimizar a logística.
Apesar da reação inicial da China, que ameaçou uma guerra comercial, a resposta prática foi mais contida, evidenciando a importância estratégica do mercado europeu. No entanto, Pequim implementou medidas pontuais contra países que apoiaram as tarifas, como restrições a produtos franceses e espanhóis. A União Europeia, ao atrair investimentos para produção local, consegue um efeito parcial, mas a indústria automotiva local enfrenta uma pressão competitiva crescente e um problema estrutural que as tarifas por si só não resolveram, enquanto os chineses demonstram uma capacidade de adaptação e expansão superior.