Carne Bovina: Preços Internos Devem Subir Após Queda Inicial
Abiec prevê queda inicial nos preços da carne bovina no Brasil, seguida por alta a partir de setembro, devido a restrições na China e na UE, forçando redução na produção.

A Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) projeta uma alteração significativa nos preços da carne bovina no mercado interno brasileiro nos próximos meses. Inicialmente, espera-se uma queda nas cotações devido ao esgotamento da cota de exportação para a China e à proibição de embarques para a União Europeia a partir de setembro. No entanto, essa tendência deve se reverter, culminando em um aumento dos preços no médio prazo.
## Desafios no Mercado Externo
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, explicou que a formação de preço no mercado interno está diretamente ligada às cotações externas. Com a China atingindo o limite de 1,106 milhão de toneladas em exportações livres de taxação extra em junho, o custo para o país asiático se torna proibitivo, com tarifas adicionais que elevam o preço por tonelada de aproximadamente US$ 6.751 para US$ 10.464. Essa situação levou a Abiec a estimar uma redução drástica nas exportações para a China em 2026, de 1,6 milhão de toneladas em 2025 para cerca de 850 mil toneladas.
A proibição de exportação para a União Europeia, a partir de 3 de setembro, devido ao uso de promotores de crescimento antimicrobianos na produção, adiciona mais um obstáculo. Embora a UE represente um volume menor de exportações (5% em 2025), seu valor agregado e influência na reputação internacional da carne brasileira são consideráveis. O temor é que outros mercados sigam a postura europeia, impondo novas barreiras sanitárias.
## Impacto na Produção e Preços
Diante da diminuição da demanda externa e das restrições comerciais, frigoríficos brasileiros tendem a reduzir sua produção. Essa diminuição na oferta interna, segundo a Abiec, é o que impulsionará a alta nos preços da carne bovina no mercado doméstico a partir de setembro. A associação estima uma queda de 10% no volume geral de exportações em 2026, comparado às 3,5 milhões de toneladas exportadas em 2025. Para mitigar os impactos financeiros, algumas empresas do setor já iniciaram o fechamento temporário de plantas e a concessão de férias coletivas.
A redução do volume exportado e a necessidade de adaptação a novos cenários comerciais exigem uma reavaliação do modelo de produção. A dependência de mercados específicos, como o chinês, e a imposição de barreiras sanitárias por blocos importantes como a UE, demonstram a necessidade de diversificação e de atenção às exigências internacionais para manter a competitividade da carne brasileira no exterior e, consequentemente, impactar o bolso do consumidor nacional.