Cargos de CFO no Brasil têm alta rotatividade e exigem novas habilidades
Alta rotatividade de CFOs no Brasil é impulsionada pela expansão de suas responsabilidades para estratégia e transformação digital. Profissionais com experiência prévia são mais demandados.

## Mudança de Paradigma no Papel do CFO
O perfil do Diretor Financeiro (CFO) passou por uma profunda transformação, deixando de ser apenas o "guardião das contas" para se tornar um líder estratégico multifacetado. Tradicionalmente associado ao controle de custos e elaboração de orçamentos, o executivo agora acumula responsabilidades que vão desde a condução da transformação digital até a comunicação com conselhos de administração e investidores. Essa ampliação de escopo tem impactado diretamente a dinâmica do mercado de trabalho para esses profissionais.
A consultoria Russell Reynolds Associates realizou um estudo global que revela um cenário de alta rotatividade para os cargos de CFO, o período de maior instabilidade em décadas. No Brasil, a pesquisa aponta que aproximadamente 40% das posições de CFO mudaram de ocupante, com o tempo médio de permanência na função caindo para 4,5 anos, consideravelmente abaixo da média global de 6,5 anos. Dados alarmantes indicam que 70% dos diretores financeiros brasileiros não completam cinco anos no cargo, e apenas 12% ultrapassam uma década.
## O CFO como Agente de Transformação e Estratégia
Fernando Machado, sócio-diretor da Russell Reynolds Associates, explica que essa intensa movimentação não se deve apenas à volatilidade econômica ou à maior mobilidade dos executivos, mas sim à própria redefinição do cargo. "Em 2025, o cargo de CFO consolidou um mandato ampliado: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com conselho e investidores", afirma Machado. Essa nova realidade intensifica a demanda por profissionais experientes e capazes de gerar confiança rapidamente.
Na prática, o CFO é hoje cobrado não somente pelos resultados financeiros, mas também pela capacidade de liderar mudanças organizacionais, embasar decisões estratégicas e participar ativamente da definição do futuro do negócio. Esse novo papel se reflete na preferência por executivos com experiência prévia na função. No Brasil, 65% dos novos CFOs nomeados já possuíam histórico no cargo, indicando que os conselhos de administração buscam reduzir o tempo de adaptação.
## Desafios e Oportunidades para Lideranças
A ascensão da inteligência artificial (IA) também tem influenciado o papel da alta liderança, incluindo os CFOs. Estudos recentes indicam que a IA deixou de ser uma pauta exclusiva da área de tecnologia e passou a integrar decisões estratégicas de CEOs. Executivos são cada vez mais pressionados a liderar mudanças culturais, revisar processos e incorporar novas formas de trabalho impulsionadas pela IA. Essa tendência eleva a expectativa de que o CFO participe ativamente de decisões sobre investimentos em tecnologia, produtividade e transformação de modelos de negócio, saindo de um centro de controle para uma posição de articulação estratégica.
Adicionalmente, a função de CFO continua sendo uma importante porta de entrada para a presidência de empresas. No Brasil, 13% das transições analisadas levaram o CFO ao cargo de CEO. No entanto, um desafio persistente é a sub-representação feminina. Embora globalmente a participação de mulheres tenha aumentado, no Brasil elas representam apenas 14% dos diretores financeiros em empresas do Novo Mercado. Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates, ressalta a necessidade de fortalecer o pipeline de talentos femininos, criar condições de desenvolvimento e garantir ambientes que favoreçam a retenção e a visibilidade para o cargo.