Brasil: Relações com EUA e China se transformam e novas tarifas são anunciadas

Pesquisa do Pew Research Center mostra queda na imagem dos EUA no Brasil e aproximação com a China. Paralelamente, EUA anunciam novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções.

Brasil: Relações com EUA e China se transformam e novas tarifas são anunciadas

A percepção dos brasileiros sobre os Estados Unidos tem sofrido uma deterioração significativa, aproximando-se da imagem que o país tem da China. Uma pesquisa recente do Pew Research Center revelou que apenas 47% dos brasileiros mantêm uma visão favorável dos EUA, um patamar que praticamente iguala os 46% que avaliam positivamente a China. Essa convergência é impulsionada, em grande parte, pela queda na popularidade norte-americana, que em 2014 era de 64% entre os brasileiros.

O levantamento, que ouviu mais de seis mil pessoas em seis países latino-americanos, incluindo o Brasil, indica que a diferença entre as percepções das duas potências diminuiu consideravelmente em 12 anos. Enquanto o índice favorável aos EUA recuou 17 pontos percentuais, o da China avançou 2 pontos. A avaliação atual dos Estados Unidos no Brasil atinge o nível mais baixo registrado pelo Pew desde 2017. As visões sobre ambos os países variam conforme a orientação ideológica e a faixa etária.

## Divergências Ideológicas e Geracionais

Entre os brasileiros que se identificam com a direita, a percepção favorável aos Estados Unidos chega a 58%, mas cai para 30% entre aqueles de esquerda. Em contrapartida, a China é vista positivamente por 57% dos brasileiros de esquerda, contra 40% dos de direita. A diferença geracional também é notável: cerca de 60% dos jovens de 18 a 34 anos têm uma visão positiva tanto dos EUA quanto da China, enquanto entre os maiores de 50 anos, esse índice gira em torno de 40%.

Outros dados da pesquisa apontam que 76% dos brasileiros consideram que os Estados Unidos interferem nos assuntos de outros países, comparado a 50% em relação à China. Como parceira confiável, 40% veem a China como tal, ante 36% que apontam os EUA – uma diferença não estatisticamente significativa. Quanto ao respeito às liberdades pessoais, 32% acreditam que o governo norte-americano as respeita, enquanto 22% opinam o mesmo sobre o governo chinês.

## Novas Tarifas dos EUA Impactam Exportações Brasileiras

Em um cenário econômico distinto, o governo dos Estados Unidos confirmou a implementação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada prevista para 22 de julho. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), encerra uma investigação iniciada em julho de 2025, motivada, em parte, por reações do ex-presidente Donald Trump a questões como o funcionamento do Pix e o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro. O USTR também aponta restrições a produtos brasileiros, aplicação da Lei Anticorrupção, proteção da propriedade intelectual e desmatamento ilegal como pontos de investigação.

Com a nova tarifa, o Brasil se posiciona como o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás apenas da China. Embora uma tarifa global de 10% imposta anteriormente por Trump esteja prestes a expirar, a nova taxação pode elevar significativamente o custo de produtos brasileiros no mercado americano. Uma outra ação do USTR, em andamento, avalia produtos fabricados com trabalho forçado e pode resultar em tarifas adicionais de 12,5%, elevando o total para 37,5%.

No entanto, uma extensa lista de isenções, com mais de 2.100 itens, como carne, café e laranja, foi anunciada, poupando produtos essenciais ou de difícil substituição no mercado americano. As tarifas devem afetar cerca de 21% das exportações nacionais para os EUA. Diversas empresas, brasileiras e multinacionais, manifestaram preocupação com as novas tarifas, alertando para possíveis impactos nas cadeias de suprimentos e aumento de preços para consumidores americanos.