Brasil Rejeita Tarifas dos EUA e Acusa de Exigências Unilaterais
Brasil critica tarifas de 25% impostas pelos EUA, acusando Washington de exigir "capitulação" e impor condições unilaterais sem contrapartidas. Chanceler Mauro Vieira defende práticas comerciais e ambientais brasileiras.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos impuseram uma tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras devido à recusa do Brasil em aceitar exigências unilaterais e consideradas "capitulação" durante negociações comerciais. Segundo o chanceler, Washington buscava uma abertura ampla e exclusiva do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas equivalentes para produtos nacionais.
Vieira contestou as alegações americanas de práticas comerciais desleais, defendendo a legitimidade das ações brasileiras. Ele citou como exemplo o sistema Pix, que é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e acessível a todas as instituições financeiras, descartando a ideia de concorrência desleal. "Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix", afirmou.
## Críticas a Justificativas dos EUA
O ministro também rebateu as críticas sobre o desmatamento no Brasil. Ele ressaltou que, desde 2022, o país registrou reduções significativas no desmatamento na Amazônia e no Cerrado, contrariando os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas. "As acusações sobre desmatamento também são absurdas", declarou Vieira.
De acordo com o chanceler, as medidas adotadas pelos EUA carecem de fundamentos técnicos e possuem motivação política, comparando a situação a episódios anteriores relacionados a julgamentos políticos e investigações. Ele lembrou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424 bilhões na balança comercial com o Brasil, e que grande parte das importações americanas entra no mercado brasileiro sem impostos.
## Diálogo e Contatos Diplomáticos
Vieira mencionou que, desde março de 2025, ocorreram mais de 30 reuniões, incluindo contatos diretos com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Ele criticou declarações de Rubio que atribuíam o impasse ao "ego" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a postura brasileira reflete o compromisso com a soberania nacional e desrespeita a diplomacia do país. O ministro ressaltou que a posição do Brasil não representa uma "capitulação" diante de "pretensões desmedidas e demandas irrazoáveis".