Brasil refuta acusações de desmatamento e madeira ilegal por EUA
Ministro brasileiro rebate acusações de desmatamento e exportação de madeira ilegal usadas pelos EUA para justificar tarifa de 25% sobre produtos do Brasil. Governo promete retaliação.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou como "absolutamente improcedentes" e sem embasamento técnico as alegações de desmatamento utilizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para justificar a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Em entrevista coletiva, Capobianco também desmentiu a acusação de que o Brasil exporta madeira de origem ilegal, afirmando que toda a madeira exportada pelo país passa por um rigoroso monitoramento desde a origem até o embarque.
"Não é possível, hoje, em nenhum porto brasileiro [embarcar] sem a verificação da cadeia de custódia", declarou o ministro, enfatizando os controles existentes. A medida americana, que estabelece a tarifa de 25% sobre exportações brasileiras, foi oficializada na noite de quarta-feira (15) e entrará em vigor na próxima quarta-feira (22). A investigação que embasa a taxação abrange uma série de temas, incluindo o sistema de pagamentos Pix, a comercialização de produtos falsificados em centros populares e supostas restrições a redes sociais americanas.
## Reação Brasileira e Próximos Passos
Em resposta à medida, o governo brasileiro classificou a ação como "um marco lastimável" nas relações bilaterais. O Brasil sinalizou que pretende acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, como retaliação à primeira rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado. A decisão americana de taxar produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos gera preocupação no setor produtivo nacional, que vê a justificativa de desmatamento como um pretexto para medidas protecionistas.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reiterou seu compromisso com a sustentabilidade e a rastreabilidade de seus produtos. A pasta busca demonstrar que as práticas ambientais brasileiras estão em conformidade com os acordos internacionais e que as alegações americanas não refletem a realidade da gestão ambiental e do comércio de madeira no país. A expectativa é que as negociações diplomáticas e a aplicação da Lei de Reciprocidade possam reverter ou mitigar os efeitos da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos.